Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 03/06/2018
O filme americano “ Rain Man “, lançado em 1988, foi o primeiro filme comercial a caracterizar um personagem com autismo no mundo e foi essencial para o começo de uma longa caminhada de conscientização sobre o tema. No Brasil, a falta de informações sobre a doença, aliada à falta de profissionais capacitados para o tratamento, impedem a inclusão de pessoas com esta enfermidade, que já soma mais de 2 milhões de brasileiros, segundo dados da ONU.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA), que engloba em sua descrição a Síndrome de Asperger e o Transtorno Global de Desenvolvimento, recebe em seu nome o termo “ espectro “ porque envolve apresentações diversas numa gradação que vai da mais leve à mais grave. Todas, porém, em menor ou maior grau, estão relacionadas com as dificuldades de comunicação e relacionamento social de um indivíduo. A doença só foi reconhecida tecnicamente em 1993, quando foi incluída no Manual de Diagnóstico Estatístico dos Transtornos Mentais. A recente preocupação com esse tipo de disfunção explica a falta de informações e políticas públicas que corroboraram para a dificuldade de inclusão de autistas na sociedade.
Ademais, a dificuldade e o tardio diagnóstico dessa mazela são outro fator que dificulta o tratamento e acaba por prejudicar o desenvolvimento cognitivo dos pacientes. Esse fato é ratificado ao observar-se a ausência da obrigatoriedade de disciplinas sobre o autismo na grade de graduação em pediatria, psicologia, licenciatura e pedagogia. Nesse sentido, a precária preparação de profissionais da saúde e da educação se torna uma das principais barreiras, tanto para o diagnóstico, que auxilia no tratamento precoce, tanto no tratamento propriamente dito, pela ausência de profissionais capacitados.
Nesse ínterim, portanto, medidas são necessárias para garantir a devida inclusão dos autistas na sociedade. Cabe ao Estado, por meio do Ministério da Educação, garantir a obrigatoriedade das disciplinas de autismo para todas as áreas da saúde e da educação, com o fito de formar profissionais capacitados para o atendimento e acolhimento de pacientes. Soma-se a isso, o dever do governo, ainda, em criar centros de atendimentos psicossociais com atendimento especializado, tanto para os doentes, quanto para as famílias. Por fim, é dever da mídia e da escola, por meio de palestras, aulas e publicidade, promover a conscientização da população como um todo com o propósito de concatenar senso crítico e garantir a inclusão de pessoas com TEA.