Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 04/06/2018

No filme americano Rain Man, dois irmãos Raymond e Charles começam a conviver após o testamento do pai. Raymond apesar de ter dificuldades devido ao autismo, é capaz de calcular problemas matemáticos além de dispor de uma memória incrível. De acordo com a pesquisa da Universidade de São Paulo, em 200 milhões de habitantes, cerca de 2 milhões possuem a Síndrome de Asperger no Brasil. Com isso, é evidente que dificuldades são enfrentadas diariamente por pessoas portadoras devido ao desconhecimento por parte da sociedade ao lidarem com autistas e suas peculiaridades, principalmente no âmbito familiar e escolar.

A educação e a formação de valores na vida de uma criança a família é a base para todo o seu desenvolvimento. O autismo pode ser evidenciado nos primeiros meses de vida de uma criança, porém por ser pouco compreendido, as mesmas são diagnosticadas muito tempo depois, afetando o seu crescimento. Muitos pais ao serem noticiados sobre a situação criam um certo tipo de preconceito e medo por se sentirem impotentes quanto a criação do filho e as dificuldades que serão enfrentadas. Além disso, grande parte das famílias brasileiras não tem condições à um serviço profissional para o acompanhamento da criança nem mesmo para a preparação de como encarar as circunstâncias, gerando um grande problema na despreparação do núcleo familiar.

A complexidade de comunicação de um autista dificulta a sua aprendizagem e comunicação com outras pessoas no ambiente escolar. A carência de estratégias pedagógicas e de profissionais capacitados para acompanhar e instruir durante a estadia aumenta os obstáculos do portador para se sentir incluído no sistema. Segundo uma pesquisa realizada pelo Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPSI) do Rio de Janeiro, aproximadamente 48% dos autistas de 4 a 17 anos de idade estão fora das salas de aula.

É indubitável que medidas são necessárias para amenizar esta problemática. O Ministério da Saúde poderia realizar campanhas para informar e esclarecer dúvidas sobre Transtorno do Espectro do Autismo para a sociedade, principalmente para os pais de portadores a fim de orientar os mesmos diante da situação. Ademais, o Ministério da Educação deveria criar programas para a formação de professores quanto a preparação de uma pedagogia estratégica para incluir os alunos autistas e também a exigência da contração de profissionais capacitados para acompanhar o desenvolvimento dos autistas na escola.