Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 03/06/2018

Autismo é um distúrbio neurológico que prejudica o desenvolvimento da comunicação e das relações sociais do seu portador. Segundo a revista Espaço Aberto da USP, atualmente, as estimativas indicam que o Brasil possui 2 milhões de autistas e, apesar da alta incidência de casos no país, os acometidos por esse transtorno enfrentam situações de exclusão constantes. O quadro descrito advém de fatores socioculturais que trazem como consequência a falta do diagnóstico e tratamento adequados, o preconceito e a discriminação.

Inicialmente, é importante citar alguns fatores socioculturais que contribuem para a ausência de diagnóstico e tratamento adequados, tais como a despreparo dos profissionais e das unidades de saúde, o desconhecimento sobre a existência do distúrbio e a inaceitabilidade do prognóstico. De acordo com Simone Fontella, integrante da Associação Brasileira de Assistência e Desenvolvimento Social (Abads), na maioria dos casos a família busca o tratamento tardiamente e recusa-se a aceitar o diagnóstico. Dessa forma, as intervenções e terapias necessárias para facilitar a integração do autista tornam-se obsoletas e ineficientes.

Além disso, outra grande dificuldade é proporcionar a agregação do “diferente” na sociedade. Isso ocorre porque o autista pode apresentar dificuldades na interação e comunicação, realizar movimentos involuntários e demonstrar inconstâncias emocionais, de forma à proporcionar estranhamento e incompreensão nos seus observadores leigos. Esse preconceito discriminatório foi elucidado durante um seminário do Senado brasileiro quando Alex Ellis, embaixador do Reino Unido em Brasília e pai de um jovem autista, relatou que houve uma reunião para solicitar que seu filho saísse da escola possibilitando a melhoraria nos resultados dos outros alunos. Portanto, situações como essa prejudicam a interação e convivência do portador de autismo com a coletividade.

Dessa maneira, os diversos motivos mencionados tornam-se desafios para a inclusão social dos autistas brasileiros que devem ser solucionados. Em primeiro lugar, cabe à Receita Federal destinar uma parcela dos impostos para que a Secretaria de Comunicação Social desenvolva comerciais de televisão e rádio, “outdoors”, panfletos, palestras abertas e vídeos nas redes sociais que orientem a população brasileira quanto aos conceitos envolvidos nesse transtorno, visando proporcionar o aumento na busca por tratamento, a aceitação do diagnóstico e a redução dos casos de discriminação. Em segundo lugar, o Ministério da Educação deve promover cursos direcionados aos profissionais da saúde, planejando o seu preparo no atendimento dos autistas e suas famílias, além de realizar aulas e palestras nas escolas facilitando a compreensão sobre o assunto entre funcionários, pais e alunos.