Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 04/06/2018
De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman e suas teorias conhecidas pelo termo “modernidade líquida”, a vida humana se afasta da coletividade em detrimento da individualidade pessoal. No cenário da sociedade brasileira, percebe-se que esse afastamento torna-se ainda maior quando os indivíduos envolvidos em questão, são portadores de doenças mentais, como o Transtorno do Espectro Autista. Dessa forma, a comunidade cresce leiga a respeito dessa doença, o que causa problemas de incompreensão tanto dentro da família como no âmbito escolar, dificultando assim, a inclusão dessas pessoas na sociedade.
Primeiramente, pode-se perceber que a falta de conhecimento e instrução para lidar com crianças e jovens autistas, inicia-se nas famílias, que em determinados casos não possuem a ajuda de profissionais como fisioterapeutas, fonoaudiólogos e terapeutas educacionais, por não saberem que são necessários para o desenvolvimento dos autistas. Essa é a realidade relatada no livro “Meu menino vadio” do autor Luiz Fernando Viana, que conta a experiência do pai de uma criança autista e, é notório que, as maiores dificuldades enfrentadas por ele em relação ao seu filho, derivam de falta de preparo. Além disso, apesar de todos os indivíduos terem o direito à educação, assegurado pela Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, a inserção dos autistas na educação brasileira ainda é problemática, visto que pouquíssimas instituições investem na infraestrutura necessária para a inclusão social destes, e para lhe darem todo o aparato necessário. A ausência dessas crianças e jovens em escolas regulares é um fatos que evidencia a falta de inclusão.
É evidente, portanto, que a inclusão dos autistas se faz extremamente necessária. Para isso, cabe a Organização Mundial de Saúde em parceria com o Ministério da Educação, disponibilizarem cursos profissionalizantes, ainda que através da Educação a Distância, que visem preparar pedagogos e até os próprios pais dos alunos, para que esses possam lidar da melhor forma com o problema, garantindo aos autistas uma melhor educação e conscientizando seus responsáveis de levar as crianças e jovens ao Sistema Único de Saúde para acompanhamento médico regular. Além disso, o Governo Federal deve promover campanhas nas mídias, garantindo a inclusão de todos.