Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 04/06/2018
Mundialmente, nota-se que, desde os primórdios das civilizações, as pessoas com variações físicas ou mentais, enquanto minorias no corpo social, sempre foram subjugadas através das pressuposições de “anormalidade” e “limitação”. Analogamente, observa-se que, no decorrer da história mundial, foram cometidas diversas atrocidades contra as pessoas com deficiência, tal como ocorreu durante o nazismo. Certamente, a impalpável relação de poder estabelecida socialmente com estas pessoas tem grande contribuição nas dificuldades enfrentadas pelos autistas cotidianamente. Ademais, a falta de preparo nos núcleos de convívio, desde a primeira infância, para incluir pessoas com autismo em sociedade também se apresenta como agente de oposição à interação social saudável.
A relação de pessoas tidas como “dentro da norma mental” (normais) com autistas, por diversa vezes, é permeada por paternalismo decorrente de uma visão capacitista. Apesar da boa intenção destas pessoas, o inconsciente coletivo é carregado da visão de que os deficientes são incapazes e dependentes. Desta forma, as pessoas com autismo estarão sempre em um patamar inferior neste tipo de relação. Diversas vezes, até mesmo as campanhas destinadas à divulgar a condição de pessoas com autismo utilizam expressões romantizadas tais como “anjos azuis”, o que acaba por desumanizar simbolicamente estas pessoas em sociedade e, a partir disto, alimentar preconceitos maquiados de empatia.
Concomitantemente, a inserção social de autistas é bastante precária posto que, majoritariamente, estas pessoas não encontram adequação às suas necessidades em escolas “comuns”. Consequentemente, as pessoas ditas “normais” também são privadas deste valioso convívio e da oportunidade de desenvolver uma visão naturalizada em relação as especificidades de cada indivíduo.
Inegavelmente, é de extrema importância que os governos implementem as mudanças necessárias para a inclusão das pessoas com autismo, bem como para os demais deficientes, em todas as esferas sociais mas, prioritariamente, nas creches e escolas. Desta maneira, em consequência do convívio e aproximação, as futuras gerações poderiam relacionar-se de maneira equânime, tendo suas particularidades respeitadas e não subjugadas. As respectivas autoridades administrativas também poderiam investir em centros de desenvolvimento de habilidades, tais como música, dança e teatro, novamente, visando a interação entre diversos tipos de pessoas. Assim sendo, poderíamos vislumbrar um futuro com mais linearidade nas relações sociais e, consequentemente, mais respeito e inclusão, tendo como pressuposto que as diferenças são um importante fator para o enriquecimentos das interações humanas.