Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 02/06/2018

O filme americano “ Rain Man “, lançado em 1988, foi o primeiro filme comercial a caracterizar um personagem com autismo no mundo e foi essencial para o começo de uma longa caminhada de conscientização sobre o tema. No Brasil, a falta de informações sobre a doença aliada a falta de profissionais capacitados para o tratamento, impede a inclusão de pessoas com esta doença, que já soma mais de 2 milhões de brasileiros, segundo dados da ONU.

O Transtorno do Espectro Autista (TEA), que engloba em sua descrição a Síndrome de Asperger e o Transtorno Global de Desenvolvimento, recebe em seu nome o termo “ espectro “ porque envolve apresentações diversas numa gradação que vai da mais leve à mais grave. Todas, porém, em menor ou maior grau, estão relacionadas com as dificuldades de comunicação e relacionamento social de um indivíduo. A doença só foi reconhecida tecnicamente em 1993 quando foi incluída no Manual de Diagnóstico Estatístico dos Transtornos Mentais. A recente preocupação com esse tipo de transtorno explica a falta de informações e políticas públicas que corroboraram para a dificuldade de inclusão de autistas na sociedade.

Ademais, a dificuldade e o tardio diagnóstico dos pacientes são outro fator que dificulta o início do tratamento e acaba por prejudicar o desenvolvimento cognitivo dos pacientes. Além disso, a falta de atenção com o tema é evidente ao observa-se a falta de disciplinas obrigatórios sobre o autismo na grade de especialização clínica de pediatria, psicologia, licenciatura e pedagogia. Nesse sentido, a precária preparação de profissionais da saúde e da educação é uma das principais barreiras tanto para o diagnóstico, quanto para o tratamento e se somam a falta de informações para caracterizar o atual cenário de descaso.

Nesse ínterim, portanto, medidas são necessárias para garantir a devida inclusão dos autistas na sociedade. Cabe ao Estado, por meio do Ministério da Educação, garantir a obrigatoriedade das disciplinas de autismo para todas as áreas da saúde e da educação com o fito de formar profissionais capacitados para o atendimento e acolhimento de pacientes. Soma-se a isso, o dever do governo, ainda, em criar centros de atendimentos psicossociais com atendimento especializado tanto para os doentes quanto para as famílias. Por fim, é dever da mídia e da escola, por meio de palestras, aulas e publicidade, promover a conscientização da população como um todo com o propósito de concatenar senso crítico e garantir a inclusão de pessoas com TEA.