Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 02/06/2018

A sociedade é dependente de uma crítica às suas próprias tradições. O pensamento do sociólogo alemão Jürgen Habermas traduz a necessidade de reinvenção da razão para que, por intermédio da comunicação entre indivíduos, velhas construções sociais sejam rompidas. Por este viés, no cenário brasileiro, a inclusão de autistas torna-se um desafio. Sob esse aspecto, é mister tratar dos seus principais fatores e possíveis medidas relacionados à questão.

Mormente, ao discorrer acerca da inclusão de autistas a partir da historiografia brasileira, compreende-se a perpetuação do preconceito em relação a estes. Dito isso, a sociedade tende, fundamentada em um perspectiva durkheimiana, exercer coerção para com os cidadãos que são “diferentes”, ao negar-lhes oportunidades de estudo e, por conseguinte, de emprego. Acordado tal fato, é lamentável, neste país, a predominância de concepções arcaicas porquanto fere a igualdade, um dos principais artigos da Carta Magna de 1988.

Concomitante ao exercício do preconceito, a infraestrutura educacional jorra problemas que interferem no processo de inclusão: a má formação de professores. Posto isso, o filósofo crítico Immanuel Kant defende: “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”. Agregado isso, é perceptível que tal problemática perdurará conquanto não existam reformulações nos métodos pedagógicos com vistas a preparar profissionais social e cognitivamente para o atendimento de tais indivíduos.

A inclusão de autistas, portanto, reivindica medidas mais efetivas para ser alcançada no país. Destarte, o Governo, sobretudo nas figuras dos Ministérios da Educação e Trabalho, deve investir em campanhas e projetos por meio de palestras de conscientização bem como proporcionar melhores condições de formação e trabalho aos professores, com o apoio da comunidade civil no que concerne ao combate do preconceito e das entidades à obediência ao Código Trabalhista. Espera-se, com isso, que a sociedade rompa velhas roupas ideológicas como postula Habermas.