Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 04/06/2018
O autismo é uma síndrome neurobiológica de origem genética que afeta a capacidade de interação social e atinge cerca de 2 milhões de pessoas no Brasil. Mesmo tardia, em 2012, foi aprovada a lei 12.764 que ampara e protege esses indivíduos. No entanto, tal grupo ainda enfrenta dificuldades para a inclusão na prática devido à falta de informação, à discriminação e à precária infraestrutura.
Apenas em 1993 que o distúrbio foi adicionado à Classificação Internacional de Doenças, mostrando que essa demora na inserção do Transtorno do Espectro Autista (TEA) nesse ranking é reflexo do pouco que se sabe sobre a questão. Ainda hoje, nem mesmo um exame genético é capaz de afirmar com precisão a incidência, o que se faz vital um diagnóstico clínico. Como efeito, a falta da disseminação sobre características e informações impedem muitas famílias de encontrarem o tratamento adequado e de permitirem que a criança consiga um progresso no aprendizado e na socialização. Dessa maneira, quanto mais precoce for o diagnóstico e as intervenções, maior a probabilidade de o autista aprimorar o seu desenvolvimento.
Quando o conhecimento é difundido, ajuda os pais e há redução do preconceito pela sociedade. Com a legislação para as pessoas com TEA, elas possuem o direito de estudarem em escolas regulares com um professor de apoio para auxiliá-las durante o ano letivo. Isso faz com que desde pequenos todos os alunos tenham um contato com o autista, propiciando uma interação livre de discriminação entre as crianças e auxiliando o progresso social do portador. Contudo, mesmo que a lei trouxe diversos benefícios, as famílias enfrentam o desafio de conseguirem o tratamento gratuito. Essa dificuldade ocorre em virtude de poucos profissionais da área de saúde e de educação capacitados, da carência de mais lugares para um tratamento multiprofissional e da falta de um atendimento adequado. Logo, é fundamental a necessidade de mudanças nesse cenário.
É primordial, portanto, que o Ministério da Saúde mediante mídia e internet veicule campanhas sobre as principais sintomas de um autista, como comportamentos repetitivos, foco restrito e dificuldade em interagir socialmente, elucidando a todos como agirem para ajudar alguém e incentivar a procura de um médico o mais rápido possível. Outrossim, as escolas devem promover debates e projetos sobre inclusão, ensinando os alunos a respeitarem e entenderem as dificuldades que um portador de TEA enfrenta a fim de inibir qualquer forma de intolerância. Ademais,os pais precisam pressionar o município por meio de protestos para haver uma construção de Centro de Referência para o autismo que funcione gratuitamente e investimento em funcionários especializados no espectro autista com o objetivo de possibilitar uma assistência efetiva no tratamento. Assim, a adversidade da inclusão será amenizada.