Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 03/06/2018

A sociedade incorpora estruturas que são impostas à sua realidade, em seguida, ela naturaliza esse padrão e, por fim o reproduz ao longo do tempo. Assim diz o sociólogo francês Peirre Bourdieu em sua teoria sobre Habitus. Desse modo, a problemática para com a inclusão dos autistas na sociedade brasileira advém, sobretudo, da falta de conhecimento perante a patente e a negligência das políticas públicas. Sendo, dessa maneira, fatos agravantes na atualidade, de caráter desafioso a ser combatido.

Efetivamente, muitas pessoas são negligentes no combate para a inclusão de pessoas com autismo. Sob esse olhar, é perceptível a relação entre os resquícios da sociedade colonial, escravocrata e repressora, enfatizando a propagação dessa problemática, já que por muitos séculos essa síndrome era desconhecida pela população. Essa perspectiva demonstra uma formação deturpada de valores que resulta na manutenção de práticas inconscientes como o preconceito tangente as vítimas. Ademais, a falta de informação de muitos indivíduos suprime o combate, como o desconhecimento da necessidade que o autista tem em se socializar, o que desestimula país e familiares ao agregar a vítima em meios sociais, já que ao inserir, sofrem violências, bullying e subjugação dessa mesma parcela.

No que tange às ações do Poder Público, são insuficientes seus esforços para impedir a propagação da exclusão dos autistas na sociedade, ainda que leis existentes estejam respaldadas na Constituição Federal de 1988. Além disso, nota-se os autistas não são inseridos nas políticas públicas como na educação, saúde e assistência social. Atrelada a essa negligência, estima-se que existam mais de 70 milhões de pessoas com autismo no mundo, segundo a ONU, mas que não se sabe o número correto, pois essa parcela não é inclusa no senso demográfico, sendo um ato retrógrado e inerte a ser combatido.

De modo exposto, percebe-se que a problemática da inclusão social dos autistas é um desafio que carece ser combatido. Para isso, é recomendável que órgãos midiáticos em parceria com instituições educacionais estabeleçam propagandas abrangentes e chocantes para que possam incluir-los no meio social, demonstrando a importância de se ter um acompanhante especializado para pessoas com transtorno do espectro do autismo nas escolas e universidades. Também é imperioso que o Estado intensifique medidas já vigentes, vinculado à maior fiscalização para os padecentes, impedindo que sofram preconceito. Além disso, é necessário que haja apoio às vítimas para que possam se recuperar dos danos sofridos, permitindo a interferência de profissionais capazes de estimular o aprendizado. Assim, é provável que o pensamento pessimista de Bourdieu possa ser vencido, pois tudo que socialmente construído pode ser combatido de forma cultural.