Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 01/06/2018
O autismo é um transtorno de desenvolvimento que afeta vários aspectos da comunicação, além de influenciar no comportamento do indivíduo marcado pela restrição e/ou repetição de ações. As informações sobre a causa, diagnóstico e tratamento dessa doença ainda são vagas, mas estima-se que no Brasil cerca de 2 milhões de pessoas sejam autistas. Contudo, apesar de numerosos, esses brasileiros ainda sofrem na procura de tratamento adequado.
A falta de profissionais e instituições qualificadas e preparadas para atender e lidar com esse transtorno é uma das principais barreiras encontradas. Em 2012 foi vigorada uma lei que assegura que pessoas portadoras de autismo sejam inclusas nos centros urbanos, serviços e principalmente escolas. Apesar dessa política, escolas públicas e particulares não permitem que autistas sejam matriculados no ano letivo, obrigando assim os pais e responsáveis a procurar o sistema judiciário para resolução desse transtorno.
Um dos serviços públicos disponíveis para autistas é o CAPS, centro que atende adultos e crianças em regime intensivo, entretanto esse centro de tratamento atende variadas demandas como alcoolismo e drogas. Tais trabalhos por serem realizados em grupo e por profissionais sem capacitação qualificada não é o ideal para essas pessoas visto que possuem dificuldade com interação gerando muitas vezes mudança de humor.
Atualmente, um dos tratamentos mais eficientes é a Terapia Comportamental(TC), sendo a única baseada em evidências científicas, nos Estados Unidos pessoas que possuem essa síndrome são tratadas apenas com esse modelo de terapia. O que hoje no Brasil é impossibilitado devido a falta de profissionais especializados na área.
Mediante o exposto, apesar dos relativos avanços na legislação, a inclusão desses cidadães ainda é um processo difícil e visto com maus olhos. Portanto, faz-se necessário que os órgãos públicos busquem criar espaços próprios para tratamento de autismo, priorizando a terapia comportamental. É de suma importância que a população se mobilize e entenda melhor sobre a doença procurando assim evitar ações muitas vezes preconceituosas, nesta mobilização a mídia e as escolas tem papel fundamental. Por fim, a busca de especialização, o apoio assim como a participação da família tem papel fundamental no tratamento resultando em beneficios para o tratamento e melhora na interação social.