Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 30/05/2018

De acordo com a socióloga brasileira Marilena Chauí, a democracia deve ser um sistema de direitos igualitários para todos, sem ações que prejudiquem um grupo em prol de outro. No entanto, esse regime é dificilmente efetivo no setor de ensino, haja vista que essa área apresenta desafios que impugnam a inclusão de pessoas com autismo no Brasil. Tais déficits advém da ausência de estímulo pelo Poder Público para a inserção desse segmento na sociedade e da arcaica mentalidade social, sendo preciso analisar tal problemática.

Em primeiro plano, é necessário ressaltar que a falta de acessibilidade aos serviços públicos pelos indivíduos com necessidades especiais está entre as causas desse dilema. Pode-se pontuar, inicialmente, a concepção do filósofo grego Aristóteles, a qual evidencia que a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja estabelecido em comunidade. Seguindo essa ótica, essa harmonia não é alcançada, devido a negligência da administração pública em promover uma ampla reforma em suas dependências, como em escolas e locais de recreação, visando adaptar suas instalações, a fim de garantir o gozo, por cada cidadão, do direito de ir e vir, assim como dos direitos sociais, dado que persiste no país a carência de infraestrutura concreta, assim como técnica, logo que, em vista da reduzida oferta de cursos de especialização de professores, no tocante as formas de interagir com os autistas, esse segmento social acaba sendo segregado no país.

Acresce-se a isso, a importância em retratar o estigma sobre as pessoas com transtornos psicológicos como um empecilho à sua incorporação a sociedade. Ademais, conforme a teoria do sociólogo francês Durkheim, o fato social é uma maneira de agir e pensar dotado de exterioridade, coercivismo e generalização. Seguindo essa vertente, uma vez que uma criança presencia pelo seu núcleo familiar o conceito do autista como sinônimo de inútil, tende a adotar essa maneira de pensar também por vivência em grupo. Desse modo, a difusão dessa ideologia, transmitido de geração a geração, atua como agravador dessa temática, ao passo que tenciona-se a obstar o ingresso dessa camada no mercado de trabalho, bem como na vida em comunidade.

Consoante ao mencionado, fica evidente, portanto, que existem obstruções para que haja a efetiva integração social desses indivíduos, sendo preciso intervenção. Nesse sentido, o Ministério da Educação, mediante a secretaria de educação básica, deve disponibilizar cursos de qualificação pedagógica, relativos a inclusão dos autistas, nas escolas, como também criar cartilhas digitais acerca da relevância dos deficientes como integrantes da nação, almejando consolidar o respeito em coletividade, no intuito de desmistificar preconceitos interpessoais, e disseminar nas mídias sociais.