Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 30/05/2018
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) 1 a cada 110 pessoas possuem o Transtorno do Espectro Autista (TEA) . Tal transtorno afeta a comunicação e o comportamento social do individuo, mas com diagnóstico precoce e tratamento continuo, o autista pode ter uma vida adulta independente e comum. Entretanto, de encontro a isso, no país, mediante fatores como a desinformação e deficiências governamentais, a maioria dos autistas não recebem esse acompanhamento e tem o seu desenvolvimento prejudicado. Tornando, nesse contexto, imperiosa a tomada de medidas interventivas.
Na série norte-americana " Atypical", conta-se com bom humor a história de Sam, um adolescente com a síndrome de espectro autista integrando-se no meio social jovem e encontrando a sua primeira namorada. Fora da ficção e no Brasil, a vida de um jovem autista é bem diferente. Nota-se que grande parte da população não sabe nem ao menos como se caracteriza o autismo ou que existe tratamento e por essa desinformação forma-se uma conjuntura em que pais deixam seus filhos trancados em casa. Dessa forma, muitos autistas são excluídos socialmente e, assim, dificilmente terão a mesma chance que Sam de ter uma vida normal.
No entanto, caminhamos lentamente para a resolução do problema. Em 2012, o poder legislativo criou a Lei Berenice Piana que garante a aplicação de politicas de tratamento e inclusão para autistas. Contudo, apesar desse avanço, tal lei ainda não se reproduz na realidade. São poucas as cidades com centros que oferecem tratamento para o TEA e aquelas que tem, não raras vezes, não possuem estrutura necessária e os profissionais capacitados, o que desincentiva ainda mais os pais de autistas a seguir com o tratamento. Ademais, muitas escolas se recusam a obedecer a lei e receber alunos com esse tipo de transtorno, visto que eles precisam de um acompanhante, o qual é difícil de conseguir nas escolas públicas e aumenta os gastos nas particulares _ intensificando, assim, a exclusão já existente .
Portanto, para que todos aqueles com autismo tenham o direito de ser desenvolver e ter experiências como qualquer outra pessoa, é imprescindível que ações efetivas sejam aplicadas. Primeiramente, é necessário que o autismo seja largamente debatido por meio de campanhas publicitárias de parceiras entre o governo e ONGs que informem sobre o TEA e conscientizem a população sobre o respeito e a inclusão. Além disso, é importantíssimo que o Estado cumpra seu dever de oferecer todos os recursos possíveis para que os indivíduos autistas tenham qualidade de vida. Destarte, o Ministério da Saúde deve ampliar e aperfeiçoar os centros de tratamento, assim como o Ministério Público precisa garantir a presença da infraestrutura necessária nesses centros e a inclusão de autistas nas escolas por meio de recorrentes fiscalizações.