Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 30/05/2018
Os Transtornos do Espectro Autista (TEA) são várias desordens no sistema neurológico, afetando a capacidade de interação social. Em virtude disso, pessoas autistas são vítimas de preconceitos e exclusão, uma vez que boa parte da população está despreparada para lidar com alguém nessas condições, principalmente, em ambientes escolares e de trabalho. Dessa forma, fica claro que a inclusão desse público é prejudicada em decorrência da falta de capacitação dos professores e do preconceito da sociedade.
Precipuamente, analisa-se que a escola é um dos primeiros contatos que uma criança tem com a sociedade e, que o mesmo pode afetar seu desenvolvimento de inúmeras formas. Em face a isso, depreende-se que a afirmação de Francis Bacon, pensador renascentista, de que conhecimento é poder, pode ser ratificada, pois, professores bem capacitados para lidar com as necessidades de um aluno autista serão aptos para incluí-los na coletividade, além de ensinarem os demais alunos a importância de atitudes tolerantes. Logo, fica evidente a indispensabilidade de medidas que qualifiquem os educadores para essa situação.
Outrossim, observa-se que o preconceito sofrido pelos portadores de TEA dificulta a inserção dos mesmos na civilização. Tal afirmativa pode ser confirmada pela série televisiva “The Good Doctor”, em que um médico autista é vítima de discriminação pelos próprios colegas, sendo impedido de exercer suas devidas funções, por ser considerado incapaz. Nesse sentido, é indubitável a contradição e irracionalidade do comportamento humano, já que, sendo esta uma síndrome caracterizada pela dificuldade de comunicação, a população deveria contribuir para a modificação desse quadro, no entanto, a mesma mostra-se como um agente agravante para a segregação.
Destarte, é inquestionável a necessidade de inclusão do público autista, no Brasil. Em princípio, o Ministério da Educação (MEC) deve reformular a grade curricular dos cursos de licenciatura, em que haverá a inserção de palestras e aulas especializadas em TEA, para que os futuros profissionais saiam da universidade preparados para lidarem com os autistas, e assim, possam contribuir para a inclusão dos mesmos, já que o papel do educador é extremamente importante na formação dos estudantes. Ademais, é preciso que o Departamento de Direitos Humanos de empresas e órgãos públicos forneçam palestras, ministradas por neuropsicopedagogos, às quais deverão esclarecer as dificuldades e habilidades de portadores de TEA, além de atestar o fato de que muitos são aptos para trabalhar, para que o preconceito seja minimizado e as relações interpessoais possam ser garantidas nos ambientes de trabalho. Feito isso, o país avançará em direção a uma sociedade inclusiva e tolerante.