Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 30/05/2018

Já dizia Augusto Comte que a ordem e o progresso são fatores determinantes para o avanço de uma sociedade. No entanto, a falta de inclusão de pessoas pode ser um desafio para a busca plena desses quesitos no Brasil, especialmente no que tange à indivíduos com o espectro do autismo. Dessa maneira, é ponderante a análise e o aprofundamento deste panorama, a fim de buscar melhores perspectivas que respeitem o bem comum.

Apesar do Estatuto da Criança e do Adolescente proporcionar direitos e garantias para o desenvolvimento da juventude, muitos jovens com autismo enfrentam dificuldades nesse aspecto. Isto é, são escolas sem estrutura profissional e física para recebê-los, um sistema de saúde público pouco assistencialista para autistas e uma sociedade com pouco senso de reconhecimento da doença. Logo, a consequência é que as crianças com autismo sem o amparo social e de saúde devido, infelizmente, acabam tendo dificuldades de aprendizado e um déficit de controle mental maior, além de possivelmente serem alvos de discriminações, o que dificulta ainda mais para a inclusão social desses indivíduos.

Além dos empecilhos para a inclusão de jovens com autismo, outro fator é a dificuldade de inserção dos adultos autistas no Brasil. Mesmo que o país possua diretrizes, como a Lei de nº 12764, que protege e auxilia os cidadãos com autismo, pouco reflexo é visto desta soma de leis no mercado de trabalho, nas políticas públicas do Poder Executivo e na representatividade social. Sendo assim, a tendência das pessoas com autismo é a marginalização e, consequentemente, a falta de um papel social o qual, segundo Emilé Durkheim, é um fator preponderante para o desencadeamento do suicídio.

O Estado, portanto, deve criar centros de apoio aos autistas que, com psicólogos, pedagogos e terapeutas ocupacionais, auxilie no tratamento e no desenvolvimento psicológico de adultos e crianças com autismo, por meio de total assistência multiprofissional, além da supervisão de um especialista por família ou indivíduo. Ademais, o Ministério da Educação deve incluir na grade curricular das graduações da saúde e da educação, o acompanhamento e o reconhecimento do autismo, como uma maneira de formar profissionais mais qualificados para contribuírem para a inclusão de indivíduos portadores dessa doença. Como também, é imprescindível que a sociedade busque respeitar e reconhecer as pessoas com autismo, por meio de fazer amizades e contratar alguns para trabalhar, por exemplo. Assim, a ordem e o progresso serão cada vez mais visíveis e importantes para o bem comum da sociedade.