Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 28/05/2018

Parafraseando a célebre obra cinemática “O Nome dela é Sabine”, em que há um retrato de uma jovem com autismo, torna-se evidente que existem impasses para a inclusão de portadores da síndrome no meio social, haja vista que, devido à falta de estudos aprofundados acerca do assunto, o processo sintomático é facilmente confundido com processos de outras doenças, o qual levou a sua inclusão tardia na colocação de doenças da Organização Mundial de Saúde. Nesse contexto, cabe analisarmos as causas e as consequências do impasse: os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil.

Em primeira análise, constata-se que o autismo é, indubitavelmente, confundindo com a sintomatologia de outras doenças, visto que grande parte dos profissionais de saúde e educadores ficam à mercê da carência de estudos em relação à síndrome. Nesse ínterim, consequentemente, há uma notória exclusão social dos portadores do autismo. A vista disso, é evidente que a construção de uma sociedade democrática e produtiva requer, segundo Bernardo Toro, que as crianças e jovens recebam informações e formação que lhes permitam atuar como cidadãos.

Outrossim, acredita-se que a ausência de pesquisas sobre as doenças de cunho mental foi consequência dos ideais nazistas disseminados por Adolf Hittler, os quais expressavam repúdio aos portadores de necessidades especiais. Consequentemente, tal posicionamento levou à inclusão tardia do autismo ao ranking de doenças da OMS. Além disso, o processo de de exclusão de crianças com TEA (Transtorno de Espectro Autista) gera diferentes problemas psicológicos, como a depressão. Destarte, a intervenção estatal é necessária, segundo Thomas Hobbes, como forma de proteção dos cidadãos de maneira eficaz.

Diante do exposto, é imprescindível o respeito às diretrizes que assegurem o espaço dos indivíduos autistas ao meio social, garantido no quinto artigo da Constituição de 1988. Em vista disso, cabe ao Governo Federal, em parceria com o Ministério da Saúde e Educação, a garantia de aprofundamentos aos estudos sobre o autismo. Isso poderá ser feito com palestras e estudo de caso com os profissionais, a fim de possibilitar a melhoria de vida dos portadores da síndrome, visando sua inclusão nos meios sociais. Ademais, a mídia, por meio do seu poder de persuasão, deve promover documentários de pessoas de todo o Brasil com autismo, usando uma linguagem apelativa, objetivando o fim do preconceito aos portadores e o respeito para com eles. Dessa forma, realidades como a de Sabine serão mudadas e haverá uma formação de novos defensores de uma democracia com ordem e progresso, como posta na bandeira nacional.