Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 29/05/2018

Temple Grandin, foi diagnosticada com autismo aos 4 anos e até essa idade ainda não falava. Atualmente ela é professora na Universidade Estadual de Colorado, possui doutorado e ensina sobre autismo e comportamento animal mundialmente. A capacidade demonstrada por Temple é a mesma encontrada em diversos portadores da síndrome do espectro autista, infelizmente, a sociedade ainda possui uma visão bem negativa sobre tais indivíduos. Nesse contexto, deve-se analisar a falta de educação inclusiva no país e a escassez de informação sobre a síndrome que gera o preconceito.       Primeiramente, cabe pontuar que a educação brasileira por vezes torna-se um desafio para os autistas. Segundo Pierre Bourdieu, as escolas marginalizam os alunos que não se adequam ao padrão cultural existente. Dessa forma, os colégios não buscam meios de integrar socialmente os estudantes, muitos até desconhecem estratégias pedagógicas como o Plano Educacional Individual (PEI), indicado para os casos de autismo. A principal dificuldade dos portadores da síndrome é o convívio em sociedade, logo, mesmo as crianças de mais elevado grau de autismo necessitam ser levadas às escolas. As instituições escolares devem ajuda-las a socializar para que tornem-se adultos capacitados e desenvolvidos, assim como os demais.

Em segunda análise, convém frisar que a falta de informação gera o preconceito contra os autistas. A população costuma associar a síndrome do espectro autista com incapacidade psicológica e até mesmo deficiência. Esse cenário é verificado no quadro “Casa dos Autistas”, exposto pela emissora televisiva MTV, o qual satirizava a síndrome do autismo de uma forma que chegava a humilhar esses indivíduos. Infelizmente, o quadro representa a maneira como muitos ainda enxergam a síndrome. Tal fato demonstra a profunda falta de conhecimento acerca do assunto.

À vista disso, medidas devem ser tomadas para que o Brasil possa trabalhar de forma eficiente na inclusão dos autistas na educação e consequentemente na sociedade. É imprescindível que as escolas se aprofundem sobre as estratégias pedagógicas existentes para se trabalhar com autistas, como a PEI. Em conjunto com o Ministério da Educação e Associações especializadas na síndrome, possam se preparar para receber alunos nessa condição e fazer com que se adaptem da melhor forma. Além disso, o Ministério da saúde e o das Comunicações devem promover a informação para a comunidade acerca do espectro autista, mostrando relatos na mídia sobre pessoas autistas que levam uma vida comum, que trabalham, estudam e etc. Devem incentivar também a contratação dos portadores de autismo. Sendo assim, o Brasil contará não só com uma educação inclusiva mas também com uma sociedade amigável, e muitos talentos como o de Temple serão admirados.