Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 28/05/2018
A cidade-estado grega de Atenas caracterizou-se como modelo exemplar de tratamento aos seus desiguais, por concebê-los cidadãos. De forma divergente, é incontrovertível a existência de imbróglios à inclusão de autistas no Brasil. Isso se dá em virtude de um desconhecimento resiliente da doença que influi não só no tratamento de ordem patológica, mas de inserção social.
À princípio, políticas institucionais de inclusão do autista assiduamente se veem deficitárias. De acordo com o filósofo Aristóteles, “Devemos tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida de suas desigualdades”. Contudo, não são raros os casos em que a escola, por exemplo, utiliza-se de medidas austeras excludentes ao não estar preparada a recebê-los: a ausência de um nicho mais adequado se faz um aspecto importante. Nesse ínterim, a inclusão não deve ser apenas um desafio do professor, mas sim de toda a escola e da rede de ensino.
De outra parte, falta incentivo ao desenvolvimento estratégico de estudos de causa e cuidados. O autismo só foi considerado como uma doença em 1993, pela Organização Mundial da Saúde. Esse cenário remete a um estado obsoleto que traz prejuízos psicossociais aos indivíduos acometidos pela doença.
Portanto, caracteriza-se imprescindível a promulgação de medidas que aumentem a inserção democrática e cidadã dos autistas ao contingente demográfico brasileiro. “Se puderes olhar Vê. Se podes ver. Repara”. Analogamente ao escritor português José Saramago, cabe ao Ministério da Educação desenvolver cursos de capacitação aos gestores e professores sobre maneiras de formar autistas, criando meios propícios ao seu inserimento na sociedade civil. Vide palestras e ficções engajadas, deve, também, com ONG’s, capacitar pais e responsáveis, a que se desenvolva instituições cuja função social seja legitimada e efetivada pela implementação material dos direitos civis, sociais e políticos desse grupo até então marginalizado, com o fito de, enfim, mitigar sua segregação.