Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 27/05/2018
Na obra “O que é o Brasil?”, o sociólogo Roberto DaMatta caracteriza o país como pluralizado e multifacetado, constituído por diferentes grupos de pessoas. Devido a isso, esperava-se que a população brasileira fosse mais tolerante em relação às diferenças do outro. Contudo, ao analisar as pessoas com autismo é possível perceber que um dos maiores desafios enfrentados por elas é justamente a falta de compreensão da sociedade diante das suas limitações, além do descaso do governo em oferecer amparo, principalmente educacional, pra quem tanto sofre com as mazelas sociais.
Nesse sentido, para Rubem Alves no seu conto “Gaiolas e Asas”, o autor diferencia o sistema escolar em dois tipos. Existem as “escolas asas”, que por meio da educação auxiliam os alunos a se tornarem indivíduos melhores, “alçarem voou” e existem também as “escolas gaiolas”, que aprisionam os alunos mediante um método de ensino estritamente conteudista. Diante disso, as escolas brasileiras se caracterizam como “escolas gaiolas”, visto que o sistema educacional do Brasil foi criado mais com o intuito de doutrinar a população do que estimular o pensamento e o convívio social.
Com isso, as pessoas autistas sofrem com a falta de infraestrutura escolar, já que naturalmente quem possui a síndrome apresenta uma redução na capacidade mental e não conseguem se encaixar no precário método de ensino do Brasil. Ademais, o maior problema enfrentado por essas pessoas continua sendo a intolerância por parte da população, uma vez que essa tem se comportado de maneira inflexível análoga ao personagem Procusto da mitologia grega. No Mito de Procusto, o gigante tenta moldar as pessoas para que estas fiquem do mesmo tamanho que ele, já na sociedade brasileira, a população exclui aqueles que não conseguem se encaixar nos padrões impostos.
Portanto, para dar o mínimo de qualidade de vida para os autistas, é necessário que o Ministério da Educação mude as grades escolares do Brasil todo, priorizando atividades que na prática estimulem o convívio social e tornem os indivíduos mais condescendentes com as dificuldades do outro. Além disso, é necessário que o Governo Federal invista em campanhas midiáticas que, por meio de curtas-metragens, mostrem os desafios diários das pessoas que possuem autismo. Por fim, é papel também do Governo, realizar parcerias com as escolas particulares, oferecendo isenções fiscais, para que estas passem a investir na capacitação de professores, com o objetivo de que estes profissionais façam com que os autistas se sintam parte integrante das escolas e possam aprender mesmo diante das suas limitações.