Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 28/05/2018
Produzida pela Netflix, provedora de conteúdo audiovisual, a obra ficcional “Atypical”(Atípico, em tradução livre), retrata as dificuldades de adaptação do jovem Sam, portador do Transtorno do Espectro Autista, à fase de transição da adolescência para a vida adulta. Na obra, podem ser encontradas semelhanças com a realidade enfrentada pelos portadores do transtorno, tais como a discriminação e a falta de conhecimento geral acerca do mesmo, o que evidencia situações de dificuldades perante a inclusão de tais cidadãos na sociedade, uma situação frequente no cotidiano brasileiro. Assim, são necessárias modificações relativas às causas da problemática para que seja possível proporcionar inserção efetiva de tais indivíduos a coletividade no Brasil.
Primeiramente, convém evidenciar a insuficiente divulgação do tema, uma vez que tanto medidas inclusivas existentes quanto o conhecimento da definição e dos tipos de autismo não são satisfatoriamente expostos à sociedade. Exemplo disso é a Lei da Política Nacional de Proteção aos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, que visa implantar, acompanhar e avaliar políticas específicas sobre diagnóstico, atendimento multiprofissional e acesso a medicamentos e nutrientes, mas que é pouco conhecida e, diante disso, não é capaz de atingir seu objetivo. Além disso, o dia da Conscientização do Autismo, 2 de abril, apesar de existente, também não demonstra a manifestação de campanhas ou projetos de grande abrangência, não sendo capaz de mobilizar a população e, por isso, não representa uma disposição efetiva.
Como efeito disso, é comum a manifestação de preconceito em relação aos portadores do Transtorno do Espectro Autista, principalmente por meio da exclusão social em razão da dificuldade de compreender as diferenças. Por isso, além das dificuldades trazidas pelo transtorno, como as de expressar-se e interagir socialmente, portadores do Espectro precisam enfrentar barreiras impostas por uma sociedade isolada pela falta de informação e a dificuldade em aceitar o diferente. Além disso, o diagnóstico ainda encontra dificuldades, não sendo completamente preciso, o que dificulta a busca por auxílio profissional e agrava as dificuldades decorrentes do quadro, devido ao reconhecimento tardio.
O solucionamento de tais condições deve, portanto, ser baseado em medidas educativas e científicas. As secretarias da saúde a nível estadual devem atuar em conjunto às grandes mídias para desempenhar ações de conscientização a partir de palestras e oficinas com psicólogos e médicos durante o mês do dia da Conscientização do Autismo, abril, criando o “Abril azul” para tratar do tema, a fim de propiciar conhecimento e inclusão. Ademais, o governo Federal deve disponibilizar maior verba para pesquisas em Universidades Federais, a fim de propiciar melhorias no diagnóstico e tratamento.