Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 27/05/2018

Segundo pesquisas realizadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a incidência de autismo no Brasil aumentou nos últimos anos, representando 2 milhões de pessoas. Contudo, 76% da população nacional desconhece o tema. Tais dados comprovam a realidade, fruto da negligência social, vivida por essa minoria. Porém,a inclusão dos autistas é essencial para que o Brasil se desenvolva de forma mais igualitária e com melhores condições de vida. Nesse sentido, percebe-se que uma mudança no cenário de indiligência em relação à doença é necessária.

Sabe-se que a história do Brasil é marcada por lutas sociais que visavam garantir o exercício de direitos, como o movimento pelo SUS, facilitador do acesso à saúde no país. Entretanto, nota-se que o preconceito a respeito do autismo impede o engajamento coletivo e, por conseguinte, perpetua-se a insuficiência de recursos remetidos a essa minoria. Assim, o auxílio adequado passa a depender do poder aquisitivo das famílias, visto que ocorre a escassez de recursos públicos, como a ausência de Centros de Atenção Psicosocial em diversos municípios. Outrossim, ainda que o autismo seja garantido como cota por lei, malmente há profissionais e escolas aptas a oferecer isonomia educacional aos portadores da síndrome, já que abordagem do tema nas graduações é escassa.

Apesar desse trágico panorama social, os dilemas do autismo na sociedade são corroborados pelo seu recente reconhecimento como doença, em 1993. Com isso, a identificação do transtorno é afetada, principalmente na infância, fase em que os comportamentos são associados a padrões da idade. Somado a isso, há diferentes manifestações e as causas ainda são pouco conhecidas, dificultando a formação de profissionais e diagnósticos. Prova disso são os índices da OMS que indicam que 90% dos autistas brasileiros ainda não foram diagnosticados. Dessarte, a falta de acesso ao tratamento básico do transtorno permanece no país, pondo em xeque o direito à saúde, previsto na Constituição de 1988.

Logo, para que a inclusão e a garantia de direitos dos autistas não permaneça como um desafio no Brasil, é necessário que todas as esferas sociais se mobilizem. O Conselho de Autorregulamentação Publicitária deve estimular campanhas publicitárias que abordem o tema do autismo e da importância do diagnóstico precoce, a fim de que os indivíduos informem-se e organizem-se para reivindicar políticas públicas mais eficientes. Além disso, o Ministério da Educação deve implantar, em todos os cursos das áreas de saúde e educação, aulas obrigatórias sobre como lidar com o autismo, objetivando oferecer melhor qualidade de vida aos portadores. Por fim, o Ministério da Saúde deve criar um portal online do transtorno, no qual as famílias de portadores irão se cadastrar por localização para terem acesso aos pontos de apoio mais próximos e compartilharem as principais dúvidas e experiências. Assim, a teoria descrita por Platão se aproximará da realidade brasileira