Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 27/05/2018

Jean-Paul Sartre, representante do existencialismo, pontuou: “a violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota. Nesse sentido, uma das derrotas mais debatidas, hodiernamente, é sobre as negligências sofridas, na sociedade brasileira, à inclusão de pessoas com autismo. Frente a provectos fatores histórico-sociais e o rompimento do ideário evolucionista, o impasse, de caráter retrógrado e inercial, instala-se.

É indubitável que essa problemática não teve princípio hoje, já que desde a Segunda Guerra Mundial, deficientes, tanto físicos como psicológicos, eram levados para campos de concentração por não serem considerados, de acordo com Adolf Hitler, integrantes da raça ariana. Por conseguinte, esses campos foram extintos, no entanto, deixaram resquícios de um estilo de vida em que, ainda, persiste o tratamento preconceituoso e desigual com aqueles que possuem algum déficit na saúde. Esse fato, se desencadeia com autistas, que por conta do segregacionismo social, muitos não possuem acesso ao diagnóstico precoce e a um tratamento de qualidade, quebrando assim com o princípio de equidade vindo do Sistema Único de Saúde (SUS).

Ao analisar o tema, vê-se que a Lei de número 12.764, que protege os direitos de autistas, já mobilizou diversas mentes sobre a importância de respeitar e incluir pessoas com esse transtorno, o que minimizou casos de derrotas. Entretanto o ideário evolucionista darwiniano, no qual a evolução ocorre de acordo com uma melhor adaptação às divergências do meio, tem os valores corrompidos no meio social, por justamente, ações de infringência aos recursos voltados para atender os direitos de autistas, por exemplo quando sofrem intolerância por conta da dificuldade que possuem na comunicação verbal, provocando de serem excluídos de rodas sociais.

Destarte, desafios na inclusão de pessoas autistas se faz presente, sendo assim, a aplicação de forças que impeçam o percurso de uma cultura retrógrada é imprescindível. Diante disso, o Ministério da Saúde deve, por meio de um aplicativo, disponibilizar uma consulta social virtual nos hospitais, em que vai analisar se as políticas de saúde pública estão sendo ativas, incentivando assim à fiscalização e à punição. É mister, também, que o Ministério da Educação crie programas socioeducativos, como palestras acompanhadas por psicólogos e médicos, no âmbito escolar, em que irão falar sobre o autismo e ao final oferecer atividades de integração das diferenças. Tudo isso, a fim de evitar ignorâncias contraproducentes e formar cidadãos empáticos.