Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 27/05/2018

Desde o Iluminismo - corrente filosófica do século XVIII - expõe-se que uma sociedade só progride quando um indivíduo se mobilizar com o problema do outro. Não obstante, no panorama atual brasileiro, esse pensamento iluminista não se configura quando se trata da inserção de pessoas com Transtornos do Espectro Autista (TEA) na esfera social geral. Nesse contexto, não há dúvidas de que a inclusão do autista no âmbito social e civil é um desafio no Brasil, o qual ocorre, tristemente, não só improficiências estatais, mas também, preconceito da sociedade brasileira.

A priori, a falta de informação acerca do autismo constitui um dos principais entraves para a inclusão dessas pessoas na sociedade. Destarte alguns avanços na área científica, pouco se sabe sobre essa doença, o que acarreta uma alienação sobre o assunto. Em vista disso, tudo aquilo que é desconhecido causa medo e, como consequência, tem-se a dificuldade de inserir essas pessoas na sociedade, uma vez que a falta de informação leva ao preconceito e à discriminação. Além disso, apenas em 1993, o autismo foi incluído na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde, segundo dados da USP (2018), o que corrobora a falta de conhecimento sobre o assunto.

Ademais, é importante lembrar que a negligência estatal é o principal fator para a exclusão desses grupos, haja vista, que as leis são criadas, mas não saem do papel, causando assim uma forte interrupção no desenvolvimento dos direitos básicos garantidos a todos cidadãos e deixando com que esses grupos sejam prejudicados e exclusos do cotidiano da população. Todavia, o baixo investimento científico e pesquisa em relação ao autismo provoca o desentendimento da doença, o que dificulta o diagnóstico e tratamento qualificado, ferindo os direitos naturais desses grupos. Dessa forma, a fragilidade nas políticas públicas para um melhor entendimento da doença é o maior empecilho para a inclusão dessa minoria na sociedade.

Torna-se evidente, portanto, que há entraves para que pessoas com Transtorno do Espectro Autista sejam incluídas de forma plena na sociedade civil. Visto isso, é mister que o Poder Executivo, por meio de campanhas e investimentos na área de saúde, responsabilize-se em assegurar o desenvolvimento do saber científico sobre o autismo, com o objetivo de promover diagnósticos precisos e estudos genéticos mais conclusivos. O Ministério da Educação (MEC), deve promover uma maior coesão solidária entre os alunos, mediante palestras com antropólogos e sociólogos, para que o individualismo comece a ser superado e a inclusão de autistas seja realidade.