Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 27/05/2018
A série norte-americana “Atypical” retrata a vida do jovem Sam, um garoto com autismo que sofre constantemente para sentir-se pertencente do ambiente escolar, vítima de olhares indiferentes e preconceitos. Fora das telas, a inclusão de indivíduos com autismo ainda é uma realidade no Brasil contemporâneo. Nesse contexto, deve-se analisar como a escola e o corpo social causam tal problema e como combatê-lo.
Em primeiro lugar, é notório que a escola contribui para exclusão social de pessoas autistas. Isso deve-se à falta de estrutura e capacidade dessa instituição social em atender as necessidades de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Tal fato é perceptível pela ausência de professores, psicólogos e ambientes qualificados para promover uma educação especial a esse indivíduo. Por conseguinte, o jovem autista, devido seu comportamento peculiar e a carência de apoio, tente a ser tratado com indiferença e, não raramente, é excluído de grupos de conversa, ou se torna vítima de bullying.
Além disso, nota-se, ainda, que o corpo social também auxilia para a manutenção do problema. Isso porque, na pós-modernidade, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman em sua obra “Modernidade Líquida”, uma das principais características dos indivíduos é a individualidade, e, consequentemente, parcela das pessoas estão propensas a tratarem aqueles fora do padrão normativo com desdém e antipatia. Infelizmente, devido tal conjuntura, é comum que cidadãos com autismo se tornem motivo de piadas e fiquem isolados na sociedade.
Torna-se evidente, portanto, a iminência em cessar a problemática. Em razão disso, o Poder Executivo deve aprimorar as escolas do Brasil, através da destinação de verba e criação de projetos que visem melhorar o ensino para minorias, como a capacitação de professores especializados e a criação de salas especificas para indivíduos com TEA, a fim, dessa forma, de democratizar o acesso a educação e inclusão desses alunos aluno no ambiente social escolar. Concomitantemente, o Ministério da Educação deve mitigar as concepções individualistas da sociedade, por meio da disseminação de palestras e campanhas, ministradas por educadores, com o fito de informar a população acerca da importância da empatia e, assim, mitigar a discriminação de autistas.