Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 27/05/2018
O autismo, distúrbio psiquiátrico que afeta o desenvolvimento cognitivo do indivíduo, geralmente é identificado na infância, mas apresenta sintomas que duram toda a vida do indivíduo. No Brasil, apesar de 1% da população ser portadora de tal condição clínica, sua inclusão na dinâmica social ainda é pequena. Nesse sentido, deve-se analisar como a dinâmica escolar e o mercado de trabalho atuam na problemática em questão.
Sancionada em dezembro de 2012, a lei de proteção aos direitos dos portadores de autismo determina que esses tenham acesso à educação regular e profissionalizante no Brasil. Contudo, muitos profissionais da educação não são orientados sobre como receber e instruir tais alunos, que necessitam de atenção diferenciada por possuírem dificuldades ao processar informações e apresentarem resistência à mudanças, causando, assim, dificuldade de adaptação, que pode levar à evasão escolar.
A posteriori, deve-se analisar como o mercado de trabalho influencia na questão. Com uma base educacional frágil e pouco estímulo de interação social, o cidadão portador do transtorno do espectro autista, ao tentar inserir-se no mercado de trabalho, encontra um ambiente competitivo, criterioso e excludente, o que acaba dificultando seu acesso, de modo que, muitos indivíduos autistas tenham que optar por empregos com baixos salários e pouca oportunidade de ascensão profissional.
Torna-se evidente, portanto, que a dinâmica educacional e o mercado de trabalho são fatores determinantes na questão da inclusão social de autistas no Brasil. Nesse sentido, cabe às secretarias municipais de educação em parceria com as universidades a criação de cursos voltados ao treinamento de professores a respeito da educação dos indivíduos autistas, visando criar uma base escolar sólida que estimule a integração e diminua a evasão. Cabe ao Poder Legislativo, através do Congresso Nacional, a criação de uma lei que ofereça benefícios fiscais às empresas que possuírem autistas em seus quadros profissionais , visando, assim, a contratação desses indivíduos, estimulando a inserção social também no mercado de trabalho.