Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 27/05/2018

O escritor russo Liev Tolstói em sua obra ‘‘Ressurreição’’,expõe as disputas e os paradoxos vivenciados pela sociedade russa no século XIX.O romance retrata os conflitos experimentados pelo personagem Nekhludov,o qual se aterroriza e sente repugnância por uma sociedade que fecha os olhos para a subjugação do corpo social e marginalização das diferenças.Diante da universalidade do pensamento de Tolstói,é possível estabelecer um paralelo com os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil,pois por ser uma doença não são todas as pessoas que a obtém,apesar de ser bastante frequente,os torna minoria ocorrendo assim muita discriminação através da venda colocada pela sociedade perante os indivíduos autistas.

Ao longo da história firmaram-se discursos de poder que se enraizaram na cultura ocidental,auxiliando nas construção de verdades como de que o diferente deveria ser evitado.Essas verdades disseminadas socialmente por meio de discursos,como os que demonizam o outro,foram responsáveis por concretizar relações hierárquicas que naturalizam processo de violência.Ao analisar esse cenário,a filósofa alemã Hannah Arendt mostrou como esses discursos resultam na banalização do ódio contra um grupo,fato agravado na contemporaneidade pelos vícios neoliberais.É o que se vê no caso dos portadores de autismo,o qual é uma síndrome que afeta a comunicação e influência no comportamento do indivíduo e por esses fatos na maioria das vezes são marginalizados socialmente,sendo desprezados por ter uma doença que atrapalha o padrão neoliberal.

Como resultado desse processo,é possível observar desde a infância o preconceito e a discriminação com pessoas autistas provocada por parte da sociedade e até mesmo por outras crianças.Há ainda o pouco diagnóstico que se sabe sobre essa doença dificultando assim a orientação totalmente eficaz.O desprezo gera problemas como a depressão,a marginalização e o isolamento dos autistas,agravando ainda mais a situação.

Feita essa análise,fica evidente que são necessárias ações promotoras de transformações coletivas.Para tanto,o Estado,deve em parceria com as escolas promover campanhas para orientar a sociedade sobre o autismo,pois a educação é instrumento de metamorfose social e é imprescíndivel que ela atue na desconstrução de discursos preconceituosos que marginalizam o autista e o seu desenvolvimento.A população precisa buscar informações sobre essa doença,no intuito de tratar igualmente um autista sem rótulos com preconceito.Somente assim,a reflexão proposta por Tolstói será contrariada e a sociedade irá abrir os olhos para a diversidade de enfermidades biólogicas,retirando a venda da desigualdade e incluindo todos .