Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 27/05/2018
Um dos principais desafios do Brasil na atualidade é a inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) , seja no ambiente escolar como também no mercado de trabalho. Nesse contexto, apesar Lei 12.764/12 ter como objetivo a implantação de políticas públicas direcionadas a integração de indivíduos portadores desse transtorno, ainda é recorrente o preconceito e a estigmatização a respeito do tema. Diante disso, pode-se enumerar dois motivos que funcionam como agentes para a perpetuação dessa problemática é a desinformação e a falta de estrutura educacional no país.
Em uma primeira análise, é notório a ausência de informação sobre esse transtorno entre os brasileiros. De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), existem cerca de 2 milhões autistas no país, número que apesar de expressivo de portadores, demonstra que esse assunto é pouco discutido, levando a intensa estigmatização desses indivíduos. Ademais, outro fato que a falta de conhecimento também acarreta sobre o TEA é o diagnóstico tardio, tendo em vista a importância da identificação precoce na criança para um melhor prognóstico no futuro, a exemplo de estimular a criança na sociabilização e comunicação.
Em segundo lugar, é perceptível a ausência de preparação do sistema educacional no Brasil direcionados aos autistas. Nesse aspecto, mesmo com a obrigatoriedade da matrícula de crianças com TEA, é comum a falta de estrutura para o acolhimento específico e inserção dos mesmos, impossibilitando, assim, a plena inclusão. Segundo Paulo Freire, importante filósofo e pedagogo brasileiro, Não há saber mais ou saber menos: Há saberes diferentes", premissa que deixa evidente a importância da escola adaptar o seu ensino de acordo com as necessidades e variedades dos seus alunos.
Fica claro, portanto, que é imprescindível o debate acerca da plena inclusão de pessoas com autismo na sociedade. Cabe ao Ministério da Saúde, juntamente com as mídias televisivas e sociais, por meio de campanhas publicitárias, buscar conscientizar e desestigmatizar a população acerca da TEA, assim como a importância do convívio com o diferente. Ao Ministério da Educação, criar programas socioeducativos, como palestras acompanhadas por psicólogos e médicos, no âmbito escolar, em que irão falar sobre o autismo e ao final oferecer atividades que busquem a integração. Assim fica mais fácil desconstruir preconceitos de um transtorno que não é identificado visualmente, porém sentidos por esses indivíduos constamento excluidos.