Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 27/05/2018
Vista Azul
De acordo com Nelson Mandela, ser pela liberdade não é apenas tirar as correntes de alguém, mas viver de forma que melhore e respeite o modo de vida dos outros. Todavia, a prática deturpa a teoria. Isso porque, ainda no século XXI, pessoas autistas sofrem diariamente com a falta de suportes que promovam uma vida de qualidade, fruto da inoperância estatal e da discriminação social.
Antes de tudo, é necessário constatar que o Estado falha ao não garantir, como assegura a Magna Carta brasileira de 1988, o direito à vida, à igualdade e à liberdade. Isso se evidencia pela falta de estudos e projetos, cujo princípio é o aprofundamento sobre questões da síndrome, devido à falta de investimentos. É visível, desse modo, a negligência, tanto que a ONU implantou o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, no dia 2 de abril, campanha marcada pela cor azul.
Somado a isso, tem-se o fato da sociedade tender a oprimir e colocar à margem pessoas que fogem dos padrões. Nesse âmbito, autistas são posicionados numa situação de vulnerabilidade - uma vez que têm perdido sua voz. Cenário concretizado e intensificado devido ao Brasil ser uma sociedade sem estruturas. Tais pessoas carecem de instituições que auxiliam esses cidadãos - muitas vezes não são tratados como tais - na conquista de direitos básicos, como os propostos na Constituição de 1988. Dessa maneira, salienta-se como imprescindível a atuação estatal e social para a supressão desses obstáculos.
Infere-se, destarte, que parte do tecido social não tem desfrutado de todos os preceitos deixados por Mandela. Sendo assim, compete ao Estado direcionar capital para ser revertido na profissionalização de educadores, por meio de cursos geridos por especialistas da área, com vistas a fornecer base acadêmica tanto para os portadores da síndrome, quanto para o resto dos indivíduos, já que a escola é o ambiente formador do cidadão. Assim, constrói-se um ambiente fértil para promover a conscientização e o fim do preconceito. Portanto vista azul.