Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 27/05/2018

Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos, publicada em 1948, todo indivíduo tem direito à educação e ao bem estar social. No entanto, em oposição a tal preceito do documento, vê-se que a população autista brasileira não está usufruindo desses direitos na prática, pois observa-se que muitos não possuem acesso às escolas regulares, ambientes culturais e esportivos. Nesse contexto, é de fundamental importância o combate dessa ocorrência e para isso, deve-se analisar como a negligência do poder público e o preconceito da sociedade provocam os casos de tal problemática.

Em primeira análise, cabe pontuar que indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), geralmente, possuem alguma deficiência relacionada a distúrbios de comunicação e interação social. Desse modo, percebe-se que a inclusão desses indivíduos no ambiente escolar em conjunto com crianças neurotípicas é importante para o desenvolvimento de suas habilidades cognitivas e de comunicação. No entanto, as ações do poder público, no que se refere a inclusão desses indivíduos, possuem algumas falhas que precisam ser discutidas e reformuladas. Como exemplo, pode-se citar a inserção desses cidadãos nas escolas regulares que, embora existam leis que garantam esse direito, elas por si só não são suficientes para uma efetiva integração e um bom desempenho do aluno.

Paralelamente, o preconceito da sociedade brasileira também é responsável pela segregação e exclusão dos indivíduos autistas nos ambientes sociais. Portadores de alguma deficiência, em sua maioria, são subjugados por uma grande parcela da população e tal fato pode ser evidenciado através de exemplos como as dificuldades na inserção no mercado de trabalho, ausência em participações de atividades culturais e escolares. Desse modo, atitudes como essas confirmam a perspectiva filosófica de Voltaire quando afirma que “os preconceitos são a vazão dos imbecis”. Assim, torna-se evidente a necessidade de mudanças nos valores da sociedade para que tais obstáculos sejam superados e que seja possível a construção de uma sociedade mais inclusiva para todos os cidadãos.

Portanto, medidas são necessárias para atenuar a problemática. Cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas, desenvolver melhorias no currículo escolar e promover capacitações aos educadores para que esses indivíduos possam ser capazes de interagir socialmente e obter melhores resultados nas habilidades cognitivas. Além disso, as escolas devem realizar palestras, apresentações artísticas e eventos esportivos que permitam a interação e participação entre alunos, responsáveis e comunidade para que possam conhecer seus direitos e permitir que tenham consciência de que a educação inclusiva é um benefício para todos os cidadãos. Dessa forma, a sociedade poderá se adequar de forma satisfatória aos princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos.