Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 27/05/2018
Inclusão de pessoas com transtornos do espectro autista no Brasil
Os transtornos do espectro autista se caracterizam por uma síndrome que afeta o comportamento do indivíduo principalmente no quesito comunicação. A intensidade dos sintomas e a variedade de suas manifestações dificultam o diagnóstico do autismo. O quadro vai desde sintomas mais leves, como na síndrome de Asperger, ao autismo clássico em que o indivíduo não consegue demonstrar empatia. Ademais, como não há alteração patognomônica no genótipo apenas no fenótipo dos indivíduos, não existe atualmente exame genético que comprove o autismo.
O diagnóstico difícil e o pouco conhecimento científico sobre o espectro autista levou à um atraso nas ações voltadas para inclusão social desses indivíduos. Embora haja quase 2 milhões de pessoas no Brasil com algum tipo de autismo, somente em 2012, foi homologada a Lei de nº 12.764 que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. O texto da Lei se parece em muito com os princípios e diretrizes do SUS e enquadra a pessoa com transtorno do espectro autista como pessoa com deficiência, entretanto, o texto não detalha a as fontes de recursos financeiros para garantir a melhoria da qualidade de vida desses indivíduos e seus familiares.
Além das dificuldades de relacionamento inerentes ao transtorno, o preconceito sofrido pelas pessoas com autismo complica ainda mais a sua inserção na sociedade. A dificuldade de aceitação do diferente ocorre pelo reduzido esclarecimento da população sobre o transtorno e ausência de ações concretas das políticas de saúde e educação públicas que contemplem a temática autismo.
Diante do exposto, é necessário o investimento financeiro governamental em qualificação de equipes interdisciplinares e expansão de serviços de saúde pra o diagnóstico e tratamento, bem como financiamento de pesquisas nas universidades federais sobre a etiologia do autismo e novas drogas possíveis para tratamento a fim de melhorar as habilidades sociais dos portadores. Também é mister, abordar a temática autista nas escolas junto aos professores e alunos utilizando-se das disciplinas de ciências humanas e sociais aplicadas, acrescida de maior utilização da mídia pelo Ministério da Educação e Ministério da Saúde para esclarecimento da população e assim, dirimir o preconceito social.