Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 28/05/2018
Todo cidadão tem direito à educação, e é dever do Estado garantir condições para o seu acesso e permanência na escola. Partindo de tal premissa, nos últimos anos, políticas de inclusão passaram a ser aplicadas para garantir esse direito também aos indivíduos com autismo, que durante muito tempo foram excluídos e marginalizados socialmente. Mesmo com as mudanças, ainda enfrentam grandes dificuldades para usufruir do que é denominado inclusão social, muitas vezes devido ao escasso número de instituições especializadas e ao despreparo dos profissionais.
Cabe dizer, inicialmente, que é importante ponderar que embora exista uma legislação que ampara e protege o autista, esta não é amplamente divulgada, o que dificulta sua aplicação. Assim, grande parte dos portadores de autismo não usufruem de seus direitos primordiais devido à falta de informações e disponibilização de recursos para tal, uma vez que apesar da Lei 12.764/2012 assegurar a inclusão destes nos mais diversos âmbitos-sobretudo nas instituições de ensino- há uma deficiência velada na qualificação e oferta de profissionais especializados em educação especial. Dessa maneira, é transparente que há diversos impasses para a inclusão desse grupo no meio social.
Ademais, a negligência do governo é um empecilho que dificulta a inclusão de pessoas autistas no país. Esta omissão ocorre quando não é oferecido informações para toda população sobre os possíveis sintomas de autismo ainda na infância e a falta de investimentos em tratamentos públicos, por exemplo. O diagnóstico de autismo ainda é bem deficitário no Brasil, se comparado a países como Estados Unidos que já possuem programas para identificar a doença ainda no início e poder melhorar a qualidade de vida dessas pessoas. Sob essa ótica, como o governo brasileiro não possui esses investimentos, muitas crianças autistas não recebem os tratamentos adequados ainda na descoberta da doença e por consequência se tornam dependentes dos pais e viram adultos excluídos de todos os âmbitos sociais. Dessarte, é indispensável a adoção de medidas capazes de assegurar a inclusão de autistas na sociedade brasileira. Posto isso, cabe ao Ministério da Educação disponibilizar recursos e formações gratuitas aos profissionais de ensino, com o fito de prepará-los e, dessa forma, garantir a inclusão plena, promover palestras educacionais acerca da síndrome para que o respeito e tolerância sejam instigados no meio social. Nesse sentido, é necessário que o Ministério da Saúde disponibilize maior apoio aos autistas, com devida orientação às famílias e procedimentos que auxiliem no desenvolvimento da linguagem e comunicação daqueles. Por fim, o Governo Federal em parceria com os recursos midiáticos deve implementar campanhas de conscientização. Desse modo, Albert Einsten se orgulharia da sociedade brasileira por desintegrar o preconceito enraizado.