Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 26/05/2018
“Estamos condenados à civilização. Ou progredimos ou regredimos.” Se Euclides da Cunha ainda estivesse vivo já teria conhecimento do caminho que a sociedade escolheu. Afinal, na era da informação e do conhecimento ainda existir preconceito e desconhecimento sobre o autismo, evidencia o regresso da população. Diante disso, é necessário que o tema seja debatido na sociedade a fim de que essa minoria tenha seus direitos reconhecidos.
Em uma primeira análise, é importante destacar como os obstáculos na educação afetam a vida da pessoa autista. A falta de um atendimento educacional especializado é um dos fatores que limitam a educação a essas pessoas. Como o assunto é pouco divulgado e conversado na sociedade, professores, funcionários e até mesmo os outros alunos da turma não sabem como conviver e ajudar a pessoa autista no processo educacional. Dessa forma, surgem as barreiras que dificultam a igualdade entre os portadores do autismo e os demais. Em consequência desse desconhecimento, as pessoas acabam isolando os portadores do autismo, causando, segundo a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa, sentimentos como ansiedade e depressão.
Em decorrência de um ensino marcado pela diferença e exclusão, a pessoa com autismo encontra barreiras na vida profissional. Em defesa dessa assertiva, é relevante citar que, pós Terceira Revolução Industrial o mercado de trabalho vem se tornando cada vez mais especializado e competitivo. Diante desse fator, empresas buscam apenas pessoas com alto grau de especialização e escolaridade, não sobrando, portanto, vagas para quem não é considerado “bom” ou “normal”. Além disso, essas empresas não estão interessadas e preocupadas com programas de inclusão de minorias em seu meio profissional.
Diante da situação exposta, é necessário - com urgência - adotar medidas para reverter essa realidade. Ao Ministério da Educação, aliado ao Ministério da Saúde, cabe a inserção de campanhas e palestras, mediada por professores, médicos e psicólogos em instituições de nível fundamental, médio e superior visando debater e refletir, levando conhecimento do assunto para uma maioria. Ademais, aos órgãos midiáticos cabe incluir em novelas, filmes e desenhos pessoas com autismo, mostrando como a população pode lidar e incluir essa minoria na sociedade. Por fim, empresas e instituições privadas devem reservar 10% de suas vagas para pessoas com autismo, visando a oportunidade da inserção no mercado de trabalho. Com essas medidas, quem sabe os leitores de Euclides da Cunha vejam que a sociedade escolheu progredir.