Os desafios da formação de professores no Brasil
Enviada em 31/08/2021
O artigo 205 a Constituição Federal aponta como prerrogativa do cidadão brasileiro o pleno acesso a uma educação de qualidade. Sabendo-se disso, fica evidente a importância de bons professores para o cumprimento da norma constitucional mencionada. Contudo, o panorama hodierno apresenta o oposto, a saber, uma crise na profissão docente, uma vez que diversos fatores sociais e governamentais contribuem para o declínio da quantidade de educadores qualificados para a profissão. Logo, é imprescindível a análise dos desafios que prejudicam o processo de formação de professores no Brasil, visando uma melhor compreensão da problemática em questão.
Primeiramente, vale mencionar as dificuldades que os docentes enfrentam dentro e fora de aula. Quando lecionando, é comum os professores gastarem uma parcela significativa do horário de aula repreendendo de alunos, isto quando estes não se posicionam contra a autoridade em sala, em alguns casos havendo até mesmo ameaças e agressões físicas, este último sendo mais recorrente em escolas públicas. Como se não bastasse, tamanho esforço é retribuido com baixo reconhecimento profissional e uma média salarial baixa, o que é imcompatível quando se leva em conta a alta relevância da profissão em pauta. Todos estes fatores atuam mutuamente para a insatisfação generalizada de educadores, os quais, devido à situação apresentada, acabam por ser desestimulados a darem seu máximo nos seus ofícios.
Além disso, como consequência direta dos aspectos problemáticos já comentados, há uma quantidade significativamente menor de pessoas que almejam o cargo de educador, o que diminui a concorrência e o rigor para adentrar no curso de Pedagogia e, assim, diminuindo a taxa de docentes proeminentes. Nesse sentido, de acordo com Ivan Gontijo, coordenador da Todos pela Educação, organização não governamental, quase 4/5 daqueles que seriam os professores da próxima geração possuem pontuação baixa no Exame Nacional do Ensino Médio, denotando desempenho escolar medíocre. Dessa forma, em decorrência do fato citado, não é incomum preceptores sem formação adequada, o que reduz mais ainda a, já baixa, valorização da profissão.
Portanto, é necessário que haja uma formulação de medidas que visem a amenização das mazelas supracitadas. Sendo assim, o Ministério da Educação, atuando em conjunto com o Ministério da Economia, deverá, por meio da liberação de verba para investimentos em políticas públicas, dentre estas o aumento salarial, melhoria das condições de trabalho e aumento de regalias profissionais, promover uma valorização do ofício de pedagogo. Feito isso, a finalidade de um Brasil com professores devidamente reconhecidos e qualificados será alcançada, pavimentando o caminho para o progresso.