Os desafios da formação de professores no Brasil
Enviada em 15/08/2021
Conforme a Lei da Inércia, do físico Isaac Newton, a tendência de um corpo é permanecer em repouso quando nenhuma força é aplicada sobre ele. Fora da física, é possível constatar a mesma situação no que tange aos desafios da formação de professores no Brasil, que apesar de recorrentes continuam sem uma intervenção efetiva por parte das autoridades governamentais. Sob tal ótica, evidencia-se a necessidade de analisar a problemática, que persiste intrínseca em virtude de lacunas de representatividade e didáticas ultrapassadas no ensino superior.
Em primeiro plano, é preciso pontuar que o pouco reconhecimento social acerca da importância dos profissionais da educação caracteriza-se como um grave impasse. Nesse sentido, uma pesquisa feita em 2018 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostrou que somente 2,4% dos jovens no país desejavam seguir a carreira docente, enquanto 7,6% buscava algo mais “promissor”. Isso porque, frequentemente o papel do educador é menosprezado em razão dos baixos salários e precariedade na infraestrutura e gestão escolar pública, de modo a perpetuar-se na sociedade a visão de um encargo exaustivo e de resultados pífios.
Outrossim, convém ressaltar que as próprias universidades falham por terem como foco a transmissão de saberes obrigatórios e neglicenciarem a preparação de profissionais aptos a enfrentarem as adversidades da sala de aula. Nessa perspectiva, o filósofo alemão Kant afirma que o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Assim, muitos professores sentem-se desmotivados logo de início por não conseguirem aplicar metodologias coerentes à realidade dos alunos, ou os discentes são influenciados a não seguir a carreira de pedagogo, uma vez que não lhes é desperto o verdadeiro interesse pelo conhecimento, o respeito e a admiração por quem os prepara para o futuro.
Portanto, dado o exposto, torna-se imperativo a adoção de medidas que alterem esse cenário contraproducente. Logo, cabe ao ministério da educação (MEC) desenvolver planos que visem a propor a melhoria do sistema educacional e, consequentemente, a formação dos docentes. Tais ações podem ocorrer por meio de reajustes pertinentes no piso salarial desses profissionais e implementação de atividades práticas no ensino superior que os orientem a forma de lecionar e inovar no século XXI, com a finalidade de atrair mais jovens para a área de pedagogia e, após a graduação, motivarem mais alunos a terem apreço pela área. Só assim os desafios em questão serão minimizados e, possivelmente, superados.