Os desafios da formação de professores no Brasil

Enviada em 12/08/2021

A educação no Brasil é tida como pauta política há mais de um século, tanto por parte de governos de esquerda ou de direita. Contudo a formação de profissionais da educação tem se tornado um obstáculo recorrente no Plano Nacional de Educação, proposta política aprovada em 2014 que visa cumprir 20 metas da educação até o ano de 2024. As dificuldades estão atreladas a diversos fatores, mas vale destacar a forma com que o ensino tem se tornado uma maneira de lucrar, fazendo com que professores sejam vistos em empresas como operários. Ademais, o modo com que a formação de docentes ocorre não visa muita das vezes o ensino de técnicas pedagógicas.

No século XX, o Brasil passou por um período de criação da identidade nacional, e profissionais do ensino foram instruídos para que criassem nos alunos o sentimento de uma soberania nacional, muitas vezes deixando de lado o ensino propriamente dito. Durante a ditadura militar o ensino também foi afetado, as instituições de ensino eram instruídas a formar professores que somente espalhassem o conhecimento de interesse do regime, abalando novamente o ensino dos profissionais. Logo, até mesmo nos dias de hoje muitos estudantes de licenciatura são ensinados sobre a matéria que irão dar suas aulas, mas pouco se fala sobre a formação pedagógica do educador, que muitas vezes sequer teve contato com uma sala de aula

Desse modo, professores se formam em instituições pouco qualificadas de ensino e saem com pouco ou nenhum conhecimento sobre o ato de ensinar. Dessa forma muitos se sujeitam a empresas de ensino, que atualmente lucram tanto quanto bancos, e por se tratarem de grupos comerciais muitas agem de encontro aos direitos conquistados pelos professores, como salário mínimo independente do número de horas aulas, décimo terceiro, férias remuneradas. E ao se sujeitar em empresas de ensino, muitos lecionadores não dispõem da possibilidade de expansão de sua carreira, já que o desenvolvimento profissional está atrelado a um ganho salarial não correspondente à evolução de sua mão de obra.

Portanto, pode-se concluir que o déficit na formação de profissionais do ensino está relacionada a maneira com que o ensino dos educadores vem ocorrendo, aliado a uma baixa expectativa salarial e quase nenhuma chance de desenvolivmento profissional. Logo é dever do Estado, através de seu Ministério da Educação e Cultura seguir o Plano Nacional de Educação, ao passo que cobra maior comprometimento de faculdades de pedagogia, que devem possuir relação íntima com escolas, tanto para garantir que os futuros professores tenham contato com os alunos, quanto para garantir que a relação entre a instituição escola seja harmoniosa, fazendo da educação real prioridade do governo.