Os desafios da formação de professores no Brasil

Enviada em 29/07/2021

Ulisses Guimarães - ex-deputado federal e membro da Assembleia Constituinte -, ao promulgar a Constituição Federal de 1988, que está em vigor até hoje, fez um célebre discurso com a promessa de que tornaria a Carta Magna, voz da sociedade rumo à mudança. Todavia, no que tange aos diversos percalços encontrados na formação de docentes no Brasil, vê-se que tal promessa está distante da realidade. Nesse sentido, observa-se um delicado problema, que tem como causas a negligência governamental e o conformismo social como pilares da chaga.

Dessa forma, em primeira análise, vale ressaltar a carência de ações governamentais como promotora da problemática. De acordo com Maquiavel, no livro “O Príncipe”, para se manter no poder, os governantes devem operar em busca do bem universal. No entanto, de maneira análoga, percebe-se que pouco se tem feito para resolver essa mazela social, ou seja, o Estado não cumpre o seu devido papel, que seria constituir um sistema educacional com docentes devidamente capacitados, afinal, para que a sociedade consiga atingir um bom funcionamento, é preciso investir em educação, pois a mesma constitui cidadãos melhores. Destarte, é imprescindível uma intervenção estatal imediata, a fim de assegurar uma cidadania plena ao corpo social.

Outrossim, a falta do senso de urgência por parte dos indivíduos que constituem o território brasileiro se destaca como um desafio no problema. Consoante ao conceito de banalidade do mal, desenvolvido pela socióloga Hannah Arendt, informa que quando um problema é comum na sociedade, passa a ser percebido como uma circunstância normal. Analogamente, vê-se que no Brasil, os cidadãos - por se tratar de uma mazela que se faz presente há séculos - pouco debatem sobre a reivindicação para melhor formação dos professores brasileiros, o que faz com que a problemática continue “invisível” e afete todo corpo social. Em vista disso, é notória a precisão da articulação de toda a sociedade para assistir os docentes na luta contra os desafios para capacitação dos mesmos.

Infere-se, portanto, que há entraves a serem solucionados. Logo, o Ministério da Educação deve garantir que todos os docentes do país possuam uma boa formação, por meio de investimentos na criação de cursos que visem uma capacitação de excelência, além de promover uma maior valorização financeira da profissão, com objetivo de estimular mais pessoas a seguirem tal carreira. Ademais, o projeto deve contar com o desenvolvimento de pesquisas regionais, para levantamento de dados, com a finalidade de dar o maior enfoque de investimentos em regiões menos favorecidas, na busca do nivelamento educacional em todo território nacional. Na consonância dos eventos supracitados, a sociedade brasileira poderá caminhar mais próxima aos ideiais da Carta Magna, rumo à mudança.