Organismos transgênicos em questão no Brasil

Enviada em 29/05/2020

No livro “Primavera Silenciosa”, da escritora Rachel Carson, é retratado um futuro distópico no qual o uso das técnicas agrícolas, associadas aos desenvolvimentos tecnológicos, propiciam a existência de uma natureza cada vez mais ameaçada. Nesse sentido, fora da ficção, é notório que tal prerrogativa está intimamente relacionada ao contexto atual brasileiro, evidenciado pela utilização dos Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) na indústria alimentícia. Diante disso, torna-se necessário evidenciar as consequências geradas por essa temática no cenário hodierno, uma vez que ela ocasiona  danos não apenas ao meio ambiente, mas também à saúde dos indivíduos no âmbito social.

Em primeiro plano, é fulcral ressaltar que, segundo dados da revista “Veja”, a produção de transgênicos cresce 19% a cada ano, colocando o país na segunda posição mundial no que tange a esse aspecto. Com isso, consoante àquilo exposto pela obra de Carson, infere-se que tal dado está, muitas vezes, relacionado aos problemas ambientais que vigoram na contemporaneidade, já que, o uso dos OGMs recebem, conforme exposto pela plataforma do “G1”, uma alta taxa de agrotóxicos, causando, assim, impactos na variedade da fauna, flora e a consequente degradação do solo, o que põe em xeque a biodiversidade existente no Brasil.

Ainda nesse viés, é válido salientar, também, os potenciais riscos à saúde humana trazidos pelo uso desses mecanismos, haja vista que, de acordo com o IDEC ( Instituto Brasileiro De Defesa ao Consumidor), o surgimento de doenças como alergias, depressão, resistência a antibióticos, infertilidade e, até mesmo, o câncer, foi associado ao consumo de alimentos transgênicos. Nesse ínterim, urge que medidas sejam tomadas o quanto antes, com o fito de melhorar o contexto no qual a sociedade se encontra inserida, bem como garantir a manutenção do ciclo biológico existente na natureza frente às ações antrópicas.

Em suma, tendo em vista as problemáticas expostas, cabe ao Estado, como mantenedor da ordem, progresso, leis e bem-estar civilizatório, o dever de alertar e transmitir informações á população sobre os eventuais riscos causados pelo consumo desses organismos, criando campanhas e projetos que poderiam ser divulgados nos diversos meios midiáticos, como redes sociais e TV. Tal ação se tornaria viável por meio de investimentos governamentais e alocação de recursos, com o intuito de amenizar o aparecimento de doenças decorrentes desse fator, bem como garantir a legitimidade da biodiversidade existente no território brasileiro e uma nação bem diferente àquela demostrada pela distopia da obra “Primavera Silenciosa”.