Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 10/08/2021
No século XVII, o médico inglês William Harvey revolucionou a medicina ao descobrir o funcionamento da circulação sanguínea, o que possibilitou, futuramente, as transfusões de sangue entre indivíduos. No entanto, mesmo com um vasto conhecimento científico acerca do corpo humano, a realidade atual mostra um baixo nível de sangues doados nos hemocentros do país devido à falta de empatia humana e à omissão do Estado.
Em primeiro plano, nota-se que a sociedade não se solidariza com a grave falta de estoque sanguíneo no Brasil. Sobre isso, em sua obra “Por que a palidez?”, a matemática francesa Dominique Pircard concluiu que a gentileza resulta em uma sociedade mais justa. Nesse sentido, os cidadãos que não atuam empaticamente por meio de doações periódicas na tentativa de preencher os bancos de sangues são os que contribuem para um acesso à saúde cada vez menos igualitário. Ademais, de acordo com o Ministério da Saúde, a taxa de doação sanguínea voluntária é de apenas 1,6% da população brasileira, ou seja, tais dados comprovam a baixa alteridade social quanto à questão.
Além disso, a inobservância estatal sobre a falta de sangue é certificada pelo descumprimento da Carta Magna de 1988 que garante medidas políticas que viabilizam a recuperação de doenças. Nesse viés, é fato que a autoridade administrativa do país não atua de maneira efetiva no que diz respeito à realização de campanhas que incentive, principalmente, a população pobre, que representa a maior parte da população, a doar tal líquido vital de plasma. Outrossim, na canção “Vai Trabalhar Vagabundo”, Chico Buarque diz “ganha no banco de sangue pra mais um dia”, o que representa a época em que as pessoas recebiam incentivo financeiro para doar sangue. Contudo, hodiernamente, a prática de receber dinheiro em troca de sangue se tornou ilegal, portanto, é de se esperar que a parcela sem recursos da sociedade não veja a doação como prioridade diante das longas jornadas de trabalho.
Portanto, para resolução da falta de sangue nos hemocentros do país, é mister que o Ministério da Saúde atue com medidas políticas. Cabe ao órgão a criação de um programa de incentivo às doações, por meio da disponibilização de vales mensais de alimentação, que possam ser utilizados em supermercados e açougues, para todos os cidadãos voluntários que doem sangue regularmente e que são monitorados pelos hemocentros. Dessa forma, a fim de aumentar a frequência da entrada de sangue de qualidade, será possível alcançar a taxa mínima de doação sanguínea voluntária de 3% da população.