Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 30/07/2021
Segundo o filósofo existencialista Sarte, cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, pois ele seria livre e responsável pelo coletivo.Nessa perspectiva, analisa-se que, no Brasil, a pouca prática de doação sanguínea demonstra um retrocesso para a coletividade que preza por ações voluntárias e empáticas, tendo em vista a importância do sangue doado para a cura dos pacientes que necessitam desse bem. Nesse sentido, em virtude da falta de conhecimento da população e do individualismo humano, ocorre a formentação de um obstáculo desafiador.
Em primeiro plano, destaca-se o precário ensino da sociedade. A esse respeito, Arthur Schopenhauer defende que o campo de visão de uma pessoa determina o seu entendimento sobre o mundo, isto é, a maneira como um indivíduo pensa é influenciada pela situação que ele é submetido. Nessa lógica, atesta-se que a resistência em ser doador, em parte, resulta da realidade de déficit de instrução necessária para as massa populares, principalmente as de baixa renda, acerca das consequências e motivos para ceder os glóbulos vermelhos, o que possibilita a circulação de falsas informações com potencial de diminuir massivamente o número de doadores. Diante disso, seja pela ausência de redes informativas, como fóruns, dentro dos municípios para instruir a população que pretende doar, seja pela banalização de atividades escolares que visem educar os alunos para serem doadores, por exemplo, em palestras e aulas de biologia, a conjuntura de poucas doações ainda será um fato real.
Além disso, a carência de empatia contorna a questão. Nesse contexto, Ivan Ângelo ,na obra “Casa de vidro”, expôs o descaso social que alguns indivíduos sofriam diante de agressões e sofrimentos em uma habitação transparente, que permitia a visualização desses atos por todos. Sob essa ótica, muitas, vezes, por não se colocarem na realidade dos enfermos que precisam do sangue doado, as pessoas não são afetadas pela dor e pelos tratamentos invasivos que esses doentes estão sujeitos quando não receberem as células vermelhas, de modo a contribuir para a involuntariedade de doação.Ademais, cabe refletir que os tabus que cercam esse ato voluntário, como o medo de contrair alguma doença ou o receio de perder peso, fortalecem o sentimento de aversão e exemplificam o caráter individual atual.
Portanto, torna-se fulcral uma resolução. Para isso, o Ministério da Educação deve formular áudios educativos que eduquem sobre o ato de doar, por meio do conhecimento profissional de médicos,que devem quebrar os estigmas que cercam essa ação, a fim de esclarecer a sociedade e aumentar o número de doadores.Ainda, esses áudios precisam circular nos programas de rádios municipais e possuirem uma linguagem simples. Logo, o que retratado por Ivan, possivelmente,fique apenas no campo da literatura.