Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 24/06/2021
O poema Pneumotórax escrito por Manuel Bandeira, literário modernista brasileiro, retrata de forma irônica sua condição clínica pulmonar incurável na época. Contemporaneamente, com os avanços na medicina, diversos tratamentos e intervenções cirúrgicas foram criadas, inclusive para a mazela do poeta. Não obstante, para financiar esse progresso, o país necessita de um grande e constante banco sanguíneo. Isto posto, é essencial estimular as doações de sangue voluntárias. Para tanto, o Brasil deve romper com os estigmas associados a prática e com a discriminação sexual, por exemplo, o preconceito para a doação de sangue por parte dos homossexuais, gerados pelo desconhecimento.
Antes de tudo, é válido ressaltar que a falta de conscientização sustenta os estigmas que dificultam a doação sanguínea. Nessa lógica, destaca-se a teoria das Instituições Zumbi elaborada por Zygmunt Bauman. Em suma, o autor compara as instâncias sociais ao personagem ficcional zumbi, uma vez que existem, mas não exercem seu papel eficientemente na prática. Desse modo, as instituições de saúde falham na conscientização da população, conforme o princípio supracitado. Por conseguinte, o senso comum perpetua informações errôneas como, ora o ato é doloroso, ora doar sangue faz mal para a saúde. Portanto, devem ser formuladas políticas que explicitem a importância da doação de tecido hematopoiético, da segurança efetiva e da tecnologia envolvida no processo.
Por outro lado, é importante analisar não só o papel do desconhecimento, mas também da discriminação como catalisadora do problema. Hodiernamente, o Supremo Tribunal Federal-STF- derrubou a restrição aos homossexuais de doarem sangue. Porém, antes de 2020, esse grupo só poderia efetivar sua contribuição caso estivesse há 1 ano sem ter relações sexuais. De acordo com a Revista Super Abril, esses homens contribuiriam com cerca de 18 mil litros de sangue por ano. Sendo assim, é válido ressaltar que a doação segue critérios e exames rígidos para garantir a segurança do produto. Sob esse viés, é essencial estimular a doação desse grupo. Todavia, mesmo com a nova medida do STF, o desconhecimento associado ao preconceito ainda dificulta a adesão dessa prática.
Enfim, mediante o exposto, é mister que diligências sejam tomadas para reverter esse quadro. Logo, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com os Hemocentros, criar a campanha Unidos pelo Sangue. Para tal, o Tribunal de Contas da União-órgão que aprova feitos públicos- deverá financiar o projeto por intermédio de verbas. Assim, os agentes deverão, veicular vídeos rápidos informacionais na internet, com o relato de profissionais da área, para romper com os estigmas e o desconhecimento acerca do processo. Outrossim, essa mesma campanha deverá estimular a adesão da prática por todos os grupos sociais, especialmente os homossexuais. Destarte, o Brasil aumentará as doações sanguíneas.