Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 12/06/2021

Segundo o sociólogo alemão Nobert Elias, é impossível a individualidade não estar ligada à sociedade. Nesse sentido, a doação de sangue é um ato individual que resulta em efeitos coletivos, visto que pode beneficiar muitas pessoas. No entanto, o processo de doar sangue no Brasil possui empecilhos, como a falta de conhecimento que uma parcela da população possui sobre as doações e o preconceito contra homossexuais. Assim, o Governo e a sociedade devem analisar o problema, a fim de solucioná-lo.

Dito isso, é válido afirmar que as pessoas desconhecem as informações corretas sobre a doação de sangue. Nesse sentido, é comum a disseminação de mitos que não condizem com a realidade do procedimento, como a informação falsa de que o doador pode perder peso. Além disso, durante a pandemia de Covid-19, iniciada em 2020, o número de doações caíram exponencialmente, devido ao fato de que houve maior restrição para as pessoas saírem de casa por causa do isolamento social e ocorreu uma diminuição no incentivo da mídia, por exemplo, que concentrou os acontecimentos pandêmicos nas programações. Desse modo, a ausência de valorização da sociedade dada à doação de sangue contraria o artigo 196 da Constituição Federal, que garante o direito a saúde a todos, o que inclui esse processo realizado nos hemocentros.

Além disso, deve-se destacar que a discriminação contra homossexuais é outro impasse para as doações de sangue. Diante disso, o preconceito com essas pessoas é derivado do contexto de epidemia de HIV, vírus causador da AIDS, iniciada nos anos 80. Por exemplo, a série de TV “Pose” aborda esse momento na vida de diversos jovens periféricos que morreram com a doença por falta de tratamento. No entanto, impedir que homossexuais doem sangue é uma visão ultrapassada e limitada, visto que atualmente a AIDS possui tratamento, além de que contribui para diminuir a quantidade de possíveis doadores. Em relação a isso, no ano de 2020, o Supremo Tribunal Federal eliminou as restrições que proibiam as doações de sangue por homossexuais, entretanto, esse acontecimento não garantiu o fim da discriminação.

Diante do exposto, é evidente, portanto, que a doação de sangue seja mais valorizada, de modo que a falta de conhecimento sobre o processo e o preconceito contra homossexuais deixem de ser obstáculos. Para isso, é fundamental que o Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, por intermédio de propagandas, divulgue informações que incentivem a doação de sangue e que alertem a população sobre os mitos vinculados ao procedimento, a fim de que as pessoas saibam como as doações realmente funcionam. Além disso, cabe as escolas trabalharem com os alunos a importância de não restringir as doações sanguíneas, para que eles não cresçam com uma visão preconceituosa.