Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 04/06/2021

A obra “Autorretrato com orelha cortada”, de Vincent Van Gogh, produzida no século XIX, evidencia o momento em que o artista se recuperava do acidente que culminou a perda de um de seus pavilhões, auriculares - após ser encontrado com intenso sangramento -, em um contexto em que não havia doadores de sangue acessíveis. Nesse viés, apesar do hiato temporal, nota-se que, assim como o pintor, muitos brasileiros encontram-se vulneráveis em face da necessidade de aquisição de sangue. Com base nesse contexto, é imprescindível a análise dos obstáculos que corroboram esse problema, a saber, a falta de conhecimento, bem como as campanhas insuficientes.

Nesse ínterim, a ausência de instrução da maior parte da sociedade em relação à transfusão sanguínea é um aspecto que acaba por dificultar esse processo. Isso porque, conforme a Agência Brasil, os principais entraves da doação de sangue é o mito de que o indivíduo, se doar uma vez,  terá que doar sempre ou que essa prática engorda. Dessa forma, percebe-se que a falta de familiaridade com a dinâmica dos sistemas sanguíneos trata-se de um aspecto que leva o indivíduos a acreditar em fatores do senso comum, bem como torna viável que esses fiquem alheios à possibilidade de obter uma ótica empática em relação a necessidade do outro.

Outrossim, a falta de instigação para a transferência de sangue consolida uma demanda, majoritariamente, diminuta de voluntários. Essa questão pode ser explicada, sobretudo, porque além da pequena quantia de campanhas de sensibilização, em um país que, segundo a ONU, é o que menos doa sangue da América Latina, há uma ausência de postos de coleta acessíveis para uma maior parcela da sociedade, visto que, conforme o Ministério da Saúde, o país possui apenas 27 hemocentros e 500 serviços de coleta.  Com isso, tem-se um tecido social que não visualiza essa prática como algo natural, o que acarreta indivíduos que só doam em casos de extrema necessidade - por exemplo, quando o necessitado é um familiar.

Urge, portanto, que medidas sejam implementadas para mitigar os obstáculos para a doação de sangue no Brasil. Sendo assim, compete ao Ministério da Saúde elaborar um projeto de simpósios, destinados à Câmara dos Deputados. Tal ação vigorada por meios midiáticos, como internet e televisão, e redigida por médicos e pessoas que tiveram suas vidas transformadas pela aquisição de sangue, a fim de interiorizar à população as informações do processo supracitado. Cabe, ainda, ao referido órgão, mediante diretrizes orçamentárias, expandir seus centros de coleta, com o intuito de disponibilizar campanhas que alcancem locais que não estão habituados com essa prática. Almeja-se, com essa providência, que a realidade vivenciada por Van Gogh não seja presenciada pelos cidadãos brasileiros.