Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 20/05/2021

O Brasil, atualmente, tem um dos melhores sistemas de hemoterapia do mundo, que garante perfeita segurança ao paciente e ao doador. No entanto, são poucos os brasileiros que efetivamente doam sangue, o que se deve aos diversos empecilhos que impedem a ampliação de tal atividade, dentre eles a falta de informação acerca do tema e o exacerbado individualismo que se verifica na sociedade hodiernamente.

Diante desse cenário, é possível evidenciar o fato de que a população brasileira em geral tem um acesso extremamente limitado ao conhecimento no que se refere à transfusão sanguínea donativa. Por exemplo, muitos potenciais doadores se desviam do ato de caridade por acreditarem que há um elevado risco de contrair doenças durante a extração do sangue, ou que haverá uma alteração no seu peso corporal devido a ela. Além dessas, há muitas outras informações falsas que são divulgadas e que reduzem o número de doadores. Esse imbróglio consiste em um problema governamental, visto que o governo tem o dever de manter a população informada no que se refere às diversas questões referentes à saúde pública.

Ademais, torna-se pertinente a análise do aspecto social do óbice em questão. Conforme o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a sociedade pós-moderna presencia o avanço do individualismo em detrimento da concepção de bem-estar coletivo. De fato, tem sido possível perceber o crescimento alarmante do individualismo e do egocentrismo na sociedade. Esse problema impacta diretamente na questão da doação de sangue no Brasil, haja vista que muitos indivíduos não doam sangue simplesmente por não considerar importante a necessidade alheia, e por não dispor de sua atenção e de sua dedicação para um fator possivelmente decisivo na vida de outrem. Assim, a questão social referente ao egocentrismo sedimenta-se como um fator extremamente relevante no que se refere à difusão de hemolinfa na nação brasileira.

Dessarte, é possível concluir que a doação de sangue é uma questão muito recorrente na atualidade, e as negligências governamental e social referentes a ela influenciam diretamente na vida de vários brasileiros, o que torna urgente a solução de tais problemas. Cabe, portanto, ao governo investir na difusão de informações confiáveis no que diz respeito à transfusão sanguínea donativa, o que deve ser feito por meio do incentivo à divulgação de fatos cientificamente comprovados por parte de organizações de saúde, o que pode se dar por marketing televisivo, redes sociais ou propaganda impressa, com o intuito de garantir a doação frequente por parte dos cidadãos brasileiros e de garantir a plena efetivação do Artigo 5° da Constituição Federal.