Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 08/08/2021
A Constituição Federativa do Brasil, promulgada em 1988, assegura em seu artigo 6º o direito à saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, é notório que tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa os obstáculos para a doação de sangue no Brasil, dificultando, dessa forma, a universalização desse direito tão importante. Sob esse viés, faz-se necessário analisar não só o individualismo, mas também a falta de informação como fatores que favorecem esse quadro.
A princípio, é imprescindível verificar o individualismo como um entrave para resolução da problemática. Consoante o sociólogo Max Weber, existem quatro tipos de ações sociais, dentre elas, há a ação social racional com relação a fins, na qual o indivíduo realiza uma ação para um fim específico, e a ação social afetiva, em que o ser realiza uma ação porque cultiva algum sentimento, positivo ou negativo, em relação às pessoas. Diante dessa perspectiva, é evidente que as pessoas são muito individualistas, seus atos são feitos esperando algo em troca, não apenas o sentimento de estar ajudando alguém, o que acaba, consequentemente, criando obstáculos para a doação de sangue. Logo, faz-se imperioso a reformulação dessa postura de forma urgente.
Paralelamente, vale postular que a falta de informação também é um grande obstáculo para a doação de sangue no Brasil. É perceptível que grande parte da população não sabe informações básicas sobre a doação de sangue no Brasil, bem como não compreendem a importância que isso tem na vida de quem precisa, o que acaba sendo um grande empecilho na tentativa acabar com o problema, desencadeando, como resultado, uma sociedade na qual apenas uma pequena parte doa sangue. Afinal, de acordo com o filósofo e sociólogo Émile Durkheim: “O indivíduo só poderá agir na medida em que aprender a conhecer o contexto em que está inserido”. Dessa maneira, entende-se essa questão como um impasse cuja resolução deve ser de imediato.
Em suma, pode-se inferir que o tema é relevante e precisa de soluções. Depreende-se, portanto, que o Estado, como garantidor dos direitos individuais, crie, por meio do Ministério da Saúde, políticas públicas e palestras que disseminem conhecimento, com o propósito de estimular o ato de doar sangue no país. Assim, seria possível alcançar uma sociedade mais saudável, na qual é desempenhado corretamente os direitos assegurados pela Constituição Federal.