Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 19/03/2021
No século XVI, o estudioso Leonardo Da Vinci foi impedido de publicar suas descobertas que revolucionariam a medicina por questões religiosas e culturais da época. Entretanto, mesmo após séculos transcorridos, esses conceitos não foram plenamente superados, visto que existe um grande tabu em questões referentes o culto ao corpo, o que torna-se um empecilho para doações de sangue no Brasil. Desse modo, apesar desse percentual de doadores corresponder ao preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), ainda existe um longo caminho a ser percorrido, principalmente no combate ao preconceito.
À priori, embora a quantidade de sangue doado não ser carencial, é necessária a informatização social sobre a importância da doação regular para salvar vidas. Assim, como exaltado pela OMS, dados mostram que 1,6% da população brasileira é doadora de sangue, porém, 40,48% doam apenas para amigos e/ou familiares em situações de risco, segundo a Organização Pan-Americana de Saúde. Dessa maneira, essa taxa de doação mantém os estoques, contudo é importante tornar essa prática regular, visto que o sangue é um importante produto usado na medicina, obtido somente mediante doações.
Ademais, as doações feitas por homossexuais ainda encontram entraves. Nesse diapasão, mesmo a indiscriminação por orientação sexual ser legitimada por lei, há controvérsias na Lei 10.205, na qual os declaram doadores inaptos por 12 meses após a relação sexual com seus parceiros cis gêneros. Em suma, essa falha na jurisdição, além de dificultar a doação de sangue dessas pessoas, incitam o preconceito, visto que casais heterossexuais também podem conter doenças transmissíveis pelo sangue. Portanto, é imprescindível o olhar das autoridades na conscientização da comunidade, além da retificação da lei, assegurando o direito igual para todos, a fim de aumentar o número de doações de sangue, e consequentemente salvar cada vez mais vidas, principalmente em um cenário tão exigente como o atual da Covid-19.