Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 02/05/2021

Para o escritor Franz Kafka, “a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana”. Entretanto, tal perspectiva não pode ser concretizada no atual contexto brasileiro, tendo em vista os diversos desafios à doação de sangue, que impedem a expressão da solidariedade dos indivíduos para com o próximo. Nesse sentido, cabe analisar os porquês dessa problemática, como a ausência de debate dessa temática nas escolas e a infraestrutura deficiente dos hemocentros, com o fito de saná-los.

Nesse viés, é sabido que o ambiente escolar é o local ideal para abordar sobre a doação de sangue, no entato, percebe-se que isso não ocorre na realidade brasileira. Essa conjuntura vai de encontro ao ponto de vista do filósofo Immanuel Kant, “o ser humano é aquilo que a educação faz dele”, em virtude de privar o aluno de dados importantes sobre um ato de impacto social, impedindo que este tenha um desenvolvimento pleno de sua cidadania no futuro. Desse modo, a instituição de ensino não atua como um veículo de mudança social.

Ademais, conforme o artigo 196 da Constituição Federal de 1988, a saúde é um direito de todos e é dever do Estado garanti-lo. Contudo, a ausência de infraestrutura adequada dos hemocentros representa um entrave a concretização daquele, seja pela falta de verbas para investir em agências transfusionais, que auxiliam na destinação das bolsas de sangue aos pacientes, como também pela falta de profissionais, o que acarreta demora no processo. Face a isto, percebe-se a necessidade de ação por parte do Estado.

Portanto, torna-se fundamental a criação de medidas para sanar os obstáculos à doação de sangue no país. Logo, cabe ao Ministério da Saúde em conjunto com as escolas, formularem projetos sobre assuntos relacionados a saúde, como a doação de sangue, sendo acompanhados por profissionais da área, aplicados por meio de seminários e debates, com o objetivo de informar os alunos acerca de um tema de importância social. Outrossim, cabe àquele realizar levantamentos a respeito da situação dos centros de hemoterapia nacionais, levando em consideração a estrutura, quadro de funcionários e equipamentos existentes nestes, a fim de proporcionar repasses de verbas condizentes com as necessidades de cada um. Dessa forma, é possível que a perspectiva de Kafka seja concretizada no Brasil.