Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 02/09/2018
Um dos pioneiros na viagem interna pelo corpo humano se deu pelo renascentista Leonardo da Vinci, que apesar de viver em uma época em que dissecar homens e animais era proibido pela Igreja Católica, foi por meio de desenhos que este artista conseguiu explorar a anatomia humana e, com isso, fazer incríveis descobertas na érea da medicina, propiciando avanços que permitiram salvar inúmeras vidas e, posteriormente, alavancar procedimentos médicos, como doação de órgãos e sangue. Sob essa perspectiva, no seculo XXI, o Brasil ainda enfrenta desafios na saúde relacionados a doações de sangue no pais e a falta de conscientização social e a omissão do governo são duas dessas causas.
Em uma primeira análise, é válido observar que a população brasileira não possui, em sua grande maioria, o ideal cultural da importância de doar voluntariamente sangue. Em um quadro comparativo a outros países, como EUA e Japão, que desde as participações nas grandes guerras mundiais, desenvolveram uma herança cultural de que é preciso ter a consciência da importância de conceder sangue e como isso afeta positivamente a saúde pública, afinal uma bolsa desse tecido hematopoiético tem a capacidade de salvar até 4 vidas, segundo dados da OMS. Sob essa ótica, o Brasil não possui uma sociedade que se envolve com a necessidade de realizar doações para garantir o tratamento de quem precisa e sim uma grande parcela que busca apenas obter vantagens, como ganhar um dia de folga no trabalho ou para fazer exames laboratoriais, segundo o diretor médico do Instituto HOC de Hemoterapia de São Paulo.
Outrossim, vale destacar que a omissão do governo potencializa os desafios de doação de sangue no país. Isso ocorre quando não há normas e proibições que precisam ser revistas regularmente e não são, além de políticas poucos aproveitadas nas escolas e instituições. A ilustrar, uma das regras é que homens que têm relações sexuais com outros homens não podem doar sangue, o que impossibilita indivíduos possivelmente aptos a colaborar, o que acarreta em uma diminuição do potencial de contribuições sociais a respeito desse assunto, fato esse evidenciado por uma pesquisa feita pela BBC Brasil que relata a porcentagem de 1,8% de doadores, podendo ser 5%. Dessa forma, a negligência do governo nutre caminhos para minimizar esses procedimentos e dificultar o sucesso nessa questão.
Torna-se evidente, portanto, a necessidade de mudança no cenário social e político a respeito de doações de sangue no Brasil. Para reverter esse quadro, é necessário que o Governo Federal invista na conscientização da população, por meio de políticas, campanhas educativas e debates nas escolas, além de aumentar o número de campanhas de captação de doares para, no mínimo 4 vezes por ano. Isso tudo para aumentar o número de arrecadações e, assim, o estoque de sangue nos hemocentros.