Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 02/09/2018

Segundo o sociólogo Max Weber, a sociedade é explicada pelo conjunto de ações sociais que compreendem o modo de agir de cada indivíduo, exercendo influência direta na coletividade. Nesse sentido, as dificuldades enfrentadas pela doação de sangue, no Brasil, estão relacionadas ao comportamento de cada cidadão como doador, o que influi, diretamente, no estoque para os receptores. O fato de esse ser reduzido, no país, é explicado pela desinformação da população sobre como se dá o processo, além de essa atitude ser historicamente negligenciada.

Em uma primeira análise, é comum a propagação de informações errôneas acerca dos efeitos da doação de sangue no bem estar do doador, como a de que o procedimento leva à perda de peso ou pode ocasionar infecções. Isso, se explica pela distância entre o senso comum e as questões de saúde no país, que se manifesta em diversas outras situações, como no efeito de um medicamento no organismo humano. Nesse contexto, o filósofo grego Aristóteles, defende a importância dos chamados “médicos dos homens livres”, aqueles que explicam o efeito direto de substâncias e operações no corpo para seus pacientes. Seguindo esse pensamento, os profissionais, no Brasil, seriam “médicos de escravos”, já que não o fazem, deixando o povo desinformado quantos aos diversos aspectos desse tema.

Ademais, a negligência no tocante à doação de sangue tornou-se, no país, comum em uma análise  temporal. Em defesa dessa assertiva, é válido citar que, na década de 80 a doação de sangue era remunerada no país e os doadores faziam disso uma atividade profissional. Porém, desde que o Brasil proibiu a “doação” remunerada, segundo o Ministério da Saúde, o número de doadores voluntários caiu e não consegue atingir a meta considerada ideal de doações, que é entre 3% a 5% da população. Dessa forma, para mudar esse cenário, é necessário que doadores se voluntariem, o que caracteriza uma doação racional orientada a fins.

Diante do exposto, cabe às instituições de ensino com proatividade o papel de deliberar acerca desse assunto em palestras elucidativas por meio de exemplos, dados estatísticos e depoimentos de pessoas envolvidas com o tema, para que a sociedade civil, não seja complacente com a cultura do mito sobre a doação. Por fim, ao Poder Público, cabe fortalecer as políticas estaduais para ampliar e incentivar as doações, estendendo as ações do projeto Hemocentro, que visa a divulgação e propagação do ato de doar, além de capacitar os profissionais da área a fim de formar multiplicadores em incentivo a doação.