Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 31/08/2018
O número de doadores de sangue no Brasil é satisfatório, pois segundo o Ministério da Saúde, 1,8% da população brasileira é doadora, o que ultrapassa os 1% recomendados pela Organização Mundial da Saúde. No entanto, esses dados poderiam ser melhores, mas esse ato possui alguns obstáculos no Brasil, graças à não inclusão dos homossexuais. Além disso, a cultura capitalista também influencia negativamente essa realidade.
Nesse contexto, é necessário ressaltar que a heteronormatividade da sociedade atual dificulta a doação de sangue. Sabendo disso, é possível afirmar que os homossexuais do século XX, como Cazuza, por exemplo, ao assumirem suas respectivas sexualidades, foram taxados de promíscuos pela maioria conservadora. Evidentemente, esse rótulo perdura até os dias atuais, uma vez que os homossexuais não podem doar sangue, porque segundo a parcela antiquada da sociedade, essa libertinagem homoafetiva estaria ligada à doenças, que podem ser transmitidas pelo contato com o sangue, como a temida AIDS, a título de ilustração. Por conseguinte, a doação de sangue no Brasil torna-se menor do que poderia ser, já que não é interessante para os órgãos responsáveis pela coleta, desagradar a parte heterossexual da sociedade, única contribuinte atual.
Em adição, é notória a relação entre capitalismo e doação de sangue. Nesse sentido, a cultura consolidada pelo capital vive pelo lucro. Seguindo essa perspectiva, as atitudes são meros meios para chegar ao fim desejado do dinheiro. Logo, sabendo que doar sangue é um ato empático, feito pela humilde vontade de colaborar com a salvação de outras vidas, em uma sociedade capitalista, obter esse senso coletivo de afeto é, de fato, difícil, haja vista o não envolvimento do mesmo com o lucro. Sendo assim, a doação de sangue no Brasil esbarra com o obstáculo do individualismo.
Fica claro, portanto, que os estoques de sangue são satisfatórios, mas podem ser melhores. Por intermédio do Estado, é viável entrevistar homossexuais que desejam doar sangue, de modo que os civis tenham acesso aos relatos, pela postagem dos mesmos nos sites das prefeituras. Assim, é possível normatizar a homossexualidade e quebrar paradigmas. Dessa maneira, os órgãos responsáveis pela coleta de sangue podem liberar a colaboração dos homossexuais, sem comprometer-se, negativamente, com a sociedade conservadora. Além disso, o Estado deve contratar agencias publicitárias para elaborar cartazes de apelo emocional, e colar tais propagandas por pontos movimentados das cidades, como estações metroviárias, objetivando uma maior visualização da campanha e, desse modo, estimular a empatia no que tange à doação de sangue no Brasil.