Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 31/08/2018

Durante a Segunda Guerra Mundial, muitos foram os avanços no campo da ciência e da medicina, que tornaram possível a descoberta da penicilina contribuindo nos tratamentos de doenças. Entretanto, apesar dos desenvolvimentos na área da saúde, a doação de sangue ainda sofre obstáculos, seja pela falta de doadores fidelizados, seja pelo preconceito aos grupos LGBT.

A priori, consoante Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a sociedade contemporânea encontra-se inserida na modernidade líquida, a qual é marcada pelo individualismo e a fragilidade nos laços afetivos. Essa relação frágil e imediata, afasta o espirito de solidariedade dos doadores, ocasionando uma defasagem nos hemocentros, pois ignora-se a importância da doação de sangue que representam, não apenas um ato solidário, mas também atitudes de cidadania visando o bem coletivo.

Ademais, no filme A Garota Dinamarquesa, o personagem dá vida a dificuldade de homossexuais em assumirem sua orientação na época, devido à forte presença do Estado nos tratamentos de reversão gay. Analogamente, fora das telas, o reconhecimento dessa comunidade se dá de modo negativo, haja vista que os homossexuais são considerados de alto risco nos hemocentros, devido à inadimplência do Governo em assegurar a igualdade e a persistência do preconceito na sociedade.

Fica evidente, portanto, a necessidade do trabalho conjunto entre Ministério da Saúde e Ministério da Educação, em propagar uma educação de solidariedade, por intermédio de palestras em comunidades e nas escolas com a participação de profissionais, que façam o cadastramento de voluntários em prontuários eletrônicos ,com intuito de fidelizar os doadores. Somado a isso, é imprescindível que a OMS disponibilize uma cartilha nacional de doadores que reconheça a comunidade LGBTI , para que, dessa forma, seja evitado o preconceito nos hemocentros com base na orientação sexual.