Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 31/08/2018
Desde os primórdios da humanidade, é finalidade exclusiva do homem buscar alternativas que aliviem o sofrimento e o medo da morte, proporcionando melhor qualidade de vida. Dessa forma, os avanços na medicina, além de proporcionarem melhores resultados clínicos, demandaram um maior contingente de bolsas de sangue, implicando em um maior número de doadores. Entretanto, há ainda obstáculos para a prática desse ato solidário, como o controle de qualidade, estoques nos hemocentros e preconceitos arraigados da sociedade.
É característica intrínseca à sociedade brasileira o ato de solidariedade voluntária para com os seus semelhantes. Com efeito, como resposta a tal virtude é que militares do exército brasileiro são reconhecidos pela forma de tratamento solidário em missões de paz, como a findada em 2017 no Haiti e as realizadas atualmente na fronteira com a Venezuela. Todavia, no que tange ao número de doadores periódicos de sangue e ao seu respectivo estoque nos hemocentros, o Brasil se encontra abaixo do ideal estabelecido pela OMS(Organização Mundial da Saúde), sendo somente catorze doadores a cada mil habitantes, segundo organização.
Outrossim, além do baixo número de doadores, é obstáculo garantir a qualidade do sangue a ser usado para diversos fins, como tratamentos oncológicos ou de pessoas portadoras de doenças crônicas, cirurgias de alta complexidade e acidentes de trânsito. Devido a isso, existem restrições à doação de voluntários que tenha praticado sexo com mais de um parceiro nos últimos dois meses ou tenham feito sexo homossexual no último ano, visando evitar uma possível contaminação devido a janela imunológica para determinados vírus, como o HIV. Como consequência, o número de doadores diminui ao excluir essa parcela da sociedade e também devido a preconceitos existentes na sociedade acerca da doação, como o risco de contaminação por agulha, possibilidade de fazer mal a saúde, entre outros.
Portanto, medidas são necessárias para minimizar os obstáculos para doação de sangue no Brasil. Em primeiro plano, visando combater os preconceitos existentes sobre a prática da doação, devem os meios de comunicação promoverem a divulgação de informações acerca do procedimento e de sua importância para a sociedade. Além disso, deve o governo federal, através do Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Educação, realizarem campanhas de doação em postos de saúde e inserir na grade curricular do ensino médio estudos relacionados a doação de sangue, desmistificando o ato e incentivando a sua prática. Por fim, deve a família ser o módulo de solidariedade para a nação, sendo o ato de doar sangue cultivado como uma tradição que ultrapassa gerações.